Os perigos da alienação parental

Enviada em 05/10/2019

Na mitologia grega, Eros deus do amor e erotismo, tinha como objetivo unir as pessoas mediante flechas mágicas. De fato, o “amor” sentimento que permeia as relações afetivas dos indivíduos enfrenta dilemas, primordialmente na problemática da alienação parental, decorrente da fragmentação do casal que gesta uma defasagem na figura de uma das partes envolvidas. Diante dessa realidade, a mazela suscita barreiras para um desenvolvimento saudável.

Nessa perspectiva, o primeiro viés destoa para o discurso midiático inerte, que ocasiona uma invisibilidade social. Ao passo que a pouca publicidade sobre a questão, oculta o risco da manipulação de crianças e jovens no processo de separação conjugal, que valida uma mentalidade social passiva e favorece a persistência de um sistema arcaico. De acordo com o artigo 227, da Carta Magna de 1988, versa sobre o “Dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem à convivência familiar e comunitária”, essa obrigação mantem-se utópica, uma vez que sua efetividade não é plena, fato que decorre em um comportamento hostil dos gestores com a prole. Dessa forma se a imprensa não mobiliza o todo, o efeito paira no descompromisso público.

Em adição, o novo papel da mulher na sociedade, transpõe objeção e resistência coletiva. Conforme apregoa a socióloga Christine Delphy, a união do matrimônio é um contrato de trabalho que beneficia o homem e explora a mulher, contexto esse que evidencia um modal patriarcal vigorante, todavia, a modernidade rompe o paradigma e empodera a imagem feminina, o que por vezes incomoda a masculinidade tida como gestor familiar, tal divergência de ideias pode ser apontada como causa no aumento dos divórcios, e quando não amigável estimula indução paterna ou materna causando danos ao bem-estar infanto juvenil. Nesse sentido, o retrocesso é inevitável.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas para mitigar a temática da alienação parental. Para tal, o Poder Público deve viabilizar incentivos para que a mídia dê abertura ao assunto, por meio de campanhas publicitárias, que atribuam a relevância do convívio saudável após a segregação do casal, a fim de minorar os danos no comportamento infanto juvenil. Ademais, é importante o investimento assíduo em CAPS -  Centro de Atenção Psicossocial, para que psicólogos possam acompanhar as dissociações familiares e gestem palestras sobre a interação afável, orientando sobre os riscos de argumentos negativos de ambas as partes sobre a prole, com fito de melhor cooperação. Assim “Eros” de todo não será apenas mito.