Os perigos da alienação parental

Enviada em 07/10/2019

No documentário brasileiro “A morte inventada” são retratadas diversas perspectivas acerca da alienação parental, prática comum, sobretudo, em casos de divórcio, a qual é categorizada pela Organização Mundial de Saúde como uma síndrome. Nessa óptica, diante de atitudes maléficas praticadas pelos pais, implicações  no desenvolvimento adequado das crianças e na qualidade de vida dos filhos evidenciam os perigos dessa doença. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados com o escopo de modificar e de evitar esse cenário entre as famílias.

Inicialmente, é válido pontuar que a alienação parental configura-se como uma forma de violência psicológica para com os filhos, na medida em que um dos pais desqualifica ou incita o desprezo da criança pelo outro progenitor, por exemplo. A esse respeito, o filósofo Michel Foucault denuncia que a família, como estrutura social, influencia e delimita o comportamento do indivíduo, o que possibilita a manipulação, principalmente, dos filhos mais novos e ingênuos acerca desse contexto doentio. Com isso, é notório que o adequado desenvolvimento mental e social do jovens é comprometido, fato que vai de encontro às determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que zelam justamente tais fomentações pela família.

Outrossim, ressalta-se o termo “instituição zumbi”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. De a acordo com esse pensador, a família é uma instituição que se perpetua, porém não cumpre mais sua função social na modernidade. Nesse sentido, o caráter alienador de muitos pais, caracterizado por omitir informações ou dificultar o contato do outro genitor com a criança, diverge da ideia de família, tendo em vista a necessidade de unidade e harmonia. Por conseguinte, diante dessa tensão vivenciada no núcleo afetivo, é recorrente que a criança manifeste reflexos disso, tais como agressividade, culpa e angústia, o que dificulta o bem-estar e o bom relacionamento do indivíduo com ambos os pais.

Destarte, é essencial alterar esse deturpado e perigoso cenário de alienação parental. Para tanto, é impreterível que o ECA amplie o debate acerca dessa temática, por meio de publicações nas redes sociais, as quais orientem os pais sobre as características de ações alienantes e valorizem um ambiente familiar harmônico, a fim de proteger o jovem dos infortúnios decorrentes dessa prática doentia. Ademais, na esfera municipal, é imprescindível que os Conselhos Tutelares estejam atentos aos casos de alienação parental e realizem palestras com os pais sobre os efeitos dessa questão, com o fito de conscientizar e inviabilizar possíveis práticas que comprometam o desenvolvimento dos jovens.