Os perigos da alienação parental

Enviada em 30/10/2019

Na obra “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, aborda-se a insensibilidade social perante as dores humanas, em conjunto à ausência do sentimento de pertencimento àquela comunidade. Analogamente, o enredo associa-se à vida de milhares de crianças que têm suas vidas marcadas pela alienação social, não só pela falta de políticas públicas eficientes, mas ainda pela falta de senso parental. Com efeito, torna-se fundamental debater os impactos dessa situação, bem como maneiras de a interromper.

Em primeira análise, é possível verificar que a alienação parental deriva da ineficaz atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Consoante a Constituição Federal de 1988, cabe ao Estado garantir o bem-estar e proteger a dignidade de cada indivíduo. Assegurar a concretização dessa prerrogativa, na prática, torna-se um desafio tendo em vista a falta de atuação das autoridades no acompanhamento psicológico de pais que passam por separação. Por conseguinte, as instituições familiares falham ao aplicar o exercício ético generalizado, uma vez que a difamação e o discurso de ódio gerados dificultam a formação íntegra dos jovens, além de favorecer o desencadeamento de problemas psicológicos graves, como depressão e aversão social.

Outrossim, é imperativo ressaltar a insensibilidade dos genitores como promotores do problema. Conforme o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf em “A lei e a ordem”, a anomia é a condição em que as normas reguladoras dos comportamentos perdem a validade. De forma similar, nota-se que as leis que regulamentam a preservação da prole encontram-se em estado de anomia pelo ato de serem infringidas constantemente. Em decorrência disso, não há apoio parental nessas condições, prova disso são os dados divulgados por pesquisas realizadas pelo portal de notícias G1, segundo os quais, 72% dos divórcios terminam com a manipulação da prole.

Considerando-se os aspectos mencionados, compete ao Ministério da Família, a criação de leis aprovadas pelo Senado, as quais obriguem casais em processo de divórcio a realizarem acompanhamento psicológico por meio de consultas semestrais, para que profissionais capacitados possam orientá-los quanto as atitudes com seus filhos. Com isso, cabe às prefeituras, em consonância com universidades e a mídia, promover debates e palestras divulgadas em redes sociais e canais televisivos, a fim de disseminar valores que prezem pelos direitos humanos e pela empatia. Apenas sob tal condição, caminharemos para um enredo diferente daquele narrado por Bauman.