Os perigos da alienação parental
Enviada em 09/10/2019
A imaturidade dos mais maduros
De acordo com o sociólogo John Locke, o homem nasce como se fosse uma folha em branco. Nessa ótica, sendo o âmbito familiar o principal meio de educar os jovens, pode-se concluir que o papel dos pais é fundamental para colorir a “folha em branco” configurada nos filhos. No entanto, quando essa responsabilidade dos mais velhos ultrapassa os limites éticos e morais, evidencia-se a nociva alienação parental na sociedade. Assim, analisar as origens e os efeitos desse problema é medida que se impõe.
Precipuamente, convém explicitar que manipulações emocionais negativas, chantagens, e influências psicológicas são maneiras utilizadas entre pais que alienam as crianças e adolescentes para alcançar alguma vantagem. Nesse ínterim, é comum que esses casos sejam mais frequentes em famílias que apresentam divórcio conjugal conturbado, já que muitos progenitores usam a inocência dos mais novos a fim de obter vingança entre si. Para ilustrar, vale citar o filme “Pai em dose dupla”, o qual explicita um casal divorciado que reflete nos filhos sentimentos de revolta e aversão, de modo a dificultar uma relação familiar agradável e equilibrada. Para intensificar a situação, pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas apontam que o número de casamentos anulados cresceu 75% nos últimos anos, o que fomenta a possibilidade de mais casos de alienação parental sobre os filhos.
Ademais, é ingênuo acreditar que as vítimas desse entrave social não são afetadas. Segundo o escritor brasileiro Augusto Cury, nada é tão importante quanto o debate de ideias. Entretanto, a realidade conflituosa dos adultos que manipulam as crianças é outra, já que não existe diálogo e exposição de opiniões divergentes entre eles, apenas imposição emocional abusiva por parte do mais velhos. Por conseguinte, distúrbios psíquicos, como depressão, ansiedade e estresse, podem desencadear-se na vida dos menores, já que a influência citada promove a confusão e exaustão mental do indivíduo. Dessa maneira, a capacidade afetiva dos jovens é abalada quando o contexto entre pai, mãe e filho é atormentado pelo fator da alienação.
Dado o exposto, portanto, urge que o imbróglio seja erradicado da sociedade. Para evitar a desarmonia familiar nas situações de divórcio, é fundamental que o Estado acompanhe a saúde psicológica dos pequenos, mediante assistência regular do Conselho Tutelar, que promova conversas e questionários aos filhos na presença dos responsáveis. Além disso, é de suma importância que os Três Poderes se atentem sobre esse impasse, por intermédio da atribuição de penas severas aos cidadãos que persistirem com os abusos parentais, com o intuito de impedir o avanço da supracitada alienação da esfera social.