Os perigos da alienação parental
Enviada em 27/10/2019
Brás Cubas, célebre personagem machadiano, certa vez disse que o menino de hoje é o homem de amanhã, uma vez que o caráter construído na infância determina bastante do futuro pessoal. É diante do exposto que o debate acerca da alienação parental torna-se recorrente, tendo em vista que a preocupação com o comprometimento da vida futura de crianças devido à manipulação familiar é uma realidade. Esse cenário advém da complexa análise de casos cuja alienação parental é legítima, que, por sua vez, favorece um panorama de impunidade a pais manipuladores. Sendo assim, o abalo psicológico infantil, aliado à paralisação de processos judiciários, somam os principais desafios a serem superados.
Em primeiro lugar, a banalização mental de crianças será frequente enquanto a manipulação parental for uma realidade. Segundo o filósofo Jacques Lacan, é a instituição familiar que molda o comportamento infantil a partir da influência exacerbada. É analogamente ao exposto que ocorre a determinação das ações dos filhos para atenderem às necessidades paternas ou maternas, que, por sua vez, instiga o desenvolvimento de síndromes psíquicas à medida que retira a autonomia decisiva de crianças. Ou seja, é comum que o comprometimento mental na infância seja recorrente,visto que o egoísmo familiar valoriza a satisfação parental em detrimento da saúde psicológica filial.
Em segunda instância, frente ao descompromisso com a mentalidade infantil, o retardamento do progresso de casos no setor judiciário é outra consequência da problemática. De acordo com dados do G1, o número de processos acumulados a nível brasileiro já superou a marca de dois milhões. Evidentemente, isso provém da dificuldade de promulgação de vereditos jurídicos, os quais, no contexto da alienação parental, tornam-se complicados, já que as múltiplas vertentes que surgem são empecilhos para comprovação da manipulação infantil. Diante disso, à proporção da desaceleração processual, a impunidade familiar prolonga o tempo de controle de crianças.
Em suma, evidencia-se que a dificuldade de análise nos casos de alienação parental rege o comprometimento psíquico infantil e processual. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação, criar o projeto “Criança Segura”. Nele, deve haver, mediante uma parceria com o Conselho Tutelar, a criação de zonas de acompanhamento psicossociais em escolas, que deverão acompanhar o crescimento de crianças, além de estreitar o diálogo familiar, a fim de constatar possíveis alterações comportamentais que indiquem a manipulação parental para repassar ao setor judiciário. Dessa forma, com finalidade de acelerar o andamento processual e oferecer suporte psicológico infantil, para que a criança de hoje não seja comprometida amanhã.