Os perigos da alienação parental

Enviada em 27/10/2019

No filme “A vida é bela”, o pequeno Giosué, filho de um judeu, enfrenta as dificuldades de sobrevivência em uma sociedade fascista. Apesar disso, o amor e os cuidados de seus pais aliviam o sofrimento ao qual é submetido ainda tão jovem. Entretanto, na contemporaneidade, a alienação parental impede esse cenário de parceria entre os progenitores, o que compromete a saúde mental e a capacidade de sociabilização de sua prole.

Em primeiro plano, a instabilidade cotidiana no âmbito familiar possui influência direta no surgimento de doenças psicológicas em crianças e adolescentes, fase em que são mais suscetíveis a psicopatias, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Ao ser compelido a culpabilizar um de seus pais pela situação em que se encontram, o filho perde a confiança em um de seus “pilares de apoio”, o que pode levá-lo a se sentir negligenciado, inseguro ou não-merecedor de afeto, comprometendo a sua qualidade de vida e facilitando o desenvolvimento de psicopatologias, como a depressão. Dessa forma, evidencia-se o comprometimento da saúde dos jovens que são manipulados pelos seus pais.

Ademais, a dificuldade no processo de sociabilização também é uma consequência da alienação parental. Sob a perspectiva do psiquiatra Augusto Cury, essa situação pode levar a uma fragilidade na construção de laços sociais da criança, uma vez que o atrito parental contribui para o isolamento do indivíduo. Dessa forma, a prole pode ficar sujeita a uma situação de anomia, na qual o tecido social não consegue regular a sua conduta, o que compromete a sua vivência em sociedade. Tal consequência é refletida nas pesquisas do Núcleo Ciência pela Infância, que reforçam as condições emocionais desfavoráveis de pais e mães como uma das causas de problemas comportamentais em seus filhos.

Por conseguinte, torna-se necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com ONGs (Organizações Não Governamentais), atuem de forma a amenizar o cenário atual. Para isso, é preciso reforçar, por meio de verbas governamentais, o acesso da população a consultas gratuitas a psicólogos e psiquiatras, com atendimento preferencial das vítimas dessa forma de manipulação, e também dos próprios pais, para que possam ser acompanhados e aconselhados sobre o quadro vivenciado. Dessa forma, mais pessoas poderão contar, assim como Giosué, com os benefícios da atuação em conjunta de sua família na obtenção de uma maior qualidade de vida.