Os perigos da alienação parental
Enviada em 21/10/2019
O sociólogo Gilberto Freyre, ao afirmar que “ O ornamento da vida é a forma como um país trata suas crianças”, mostra a necessidade de se dar atenção aos assuntos que envolvem infância. Entretanto, a sociedade brasileira vive uma conturbação nessa ordem, principalmente por conta do crescimento desenfreado dos divórcios, entre esses estão os casos de alienação parental que, hodiernamente, são realidade em todo território, configurando-se simultaneamente, como causa e consequência de outros impasses socioeconômicos. Diante disso, é imperante analisar a falta de senso parental, bem como as sequelas sentidas pelo grupo afetado.
Cabe ressaltar, a princípio, que embora seja uma conduta imoral e criminosa, pais divorciados utilizam seus filhos como objeto de troca, uns para se reconciliar, outros para se vingar e atingir seu parceiro emocionalmente. Análogo a obra de José Saramago “Ensaio Sobre a Cegueira”, o autor não se trata apenas da cegueira física, mas da cegueira moral dentro da qual a sociedade se encontra, assim, o interesse próprio, a impaciência e a insensibilidade diante de alguém, torna a pessoa individualista fazendo o que for conveniente a si mesmo. Com efeito, a Lei 12.318 de 2010, considera a alienação parental como crime por ferir o direito da criança de ter uma convivência familiar saudável, fato esse desencadeador de consequências futuras na vida dessas.
Outrossim, cabe destacar que as instituições familiares falham ao aplicar o exercício ético generalizado, visto que a difamação e o discurso de ódio gerados pela alienação parental provocam distúrbios e efeitos psicológicos na formação dos jovens. Segundo pesquisas voltadas para a Síndrome de Alienação Parental (SAP), as consequências podem envolver, culpa, ansiedade, depressão infantil, agressividade, medos, angústias e dificuldades de aprendizagem. Nesse sentido, deve estar entre as prioridades do casal o bem estar das crianças, para que isso não impacte o desenvolvimento dessas, ainda, é importante que haja muito diálogo entre os genitores, buscando um consenso e visando o melhor para o filho.
Destarte, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para tal, urge que o Ministério da Educação incentive a capacitação dos professores, com a promoção de cursos e treinamentos que instruam sobre a percepção de alunos com problemas pessoais, a fim de ajudarem e disponibilizarem psicólogas tanto para esses docentes, como para os pais no ambiente escolar. Ademais, cabe a colaboração da família no que diz respeito a prezar pela saúde mental dos jovens em crescimento, visando diminuir o número de síndromes apresentadas por crianças com pais separados. Adotadas essas medidas sera possível tratar a cegueira moral, na qual a sociedade se encontra.