Os perigos da alienação parental

Enviada em 21/10/2019

A Ilha da Utopia, idealizada por Thomas Morus, retrata uma civilização em que as crianças crescem de forma natural e efetivam sua infância. De maneira díspar, na realidade brasileira do século XXI, percebe-se a inexistência desse lugar, uma vez que os altos índices de alienação parental impedem que muitos jovens experimentem uma puerícia harmônica. Nesse contexto, a inércia estatal, bem como a omissão social, destacam-se como grandes causadoras da problemática. Logo, urge a indispensabilidade da união entre legisladores e civis para a resolução do impasse.

Em primeira instância, a inoperância governamental propicia a manutenção de elevadas taxas de alienação parental. Nesse sentido, de acordo com o filósofo inglês Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir os direitos dos cidadãos para que a sociedade seja justa e harmônica. Todavia, na atual conjuntura brasileira, a exiguidade de ações públicas em fiscalizar, bem como punir os praticantes dessa atrocidade, evidencia o diminuto esforço estatal em garantir o direito a infância saudável, atestado na Constituição Federal de 1988. Desse modo, observa-se não só um rompimento do equilíbrio proposto por Hobbes, como também um cenário patológico que acarreta diversos problemas sociais e mentais para as crianças.

Outrossim, a postura errônea de muitos indivíduos corrobora a permanência de tal adversidade. Nesse viés, consoante ao pensador Francis Bacon, o ser humano é provido de falsas percepções, as quais dificultam a compreensão da realidade. Sob tal ótica, nota-se que, de fato, muitos cidadãos não percebem a gravidade de tentar manipular o psicológico de uma criança para que ela mostre medo, desrespeito ou hostilidade injustificada em relação ao pai ou mãe e/ou a outros membros da família. Assim, torna-se cada vez mais árduo construir um cotidiano pacífico dentro dessa instituição tão relevante para o corpo social.

Portanto, a análise crítica dos fatos sociais reflete a urgência de medidas para a redução dos casos de alienação parental. Sendo assim , cabe ao Ministério da Justiça, responsável por assegurar as garantias constitucionais, aumentar a fiscalização e punição aos que agem assim , mediante a contratação de profissionais especializados via realização de concursos, a fim de que o direito a infância saudável seja assegurado. Ademais, o corpo de cidadãos mais engajado, no exercício de seu pape social, deve enfatizar a gravidade dessa prática, mediante campanhas nas redes sociais, a fim de que os indivíduos sejam coagidos a não atuar dessa forma. Destarte, a realidade ilustra por Morus, em que todas as crianças efetivam sua infância, poderá existir no Brasil.