Os perigos da alienação parental
Enviada em 21/10/2019
Na obra ‘‘Família em desordem’’, de Elizabeth Roudinesco, é retratada a vida de uma família considerada ideal, que povoava os comerciais de margarina de 1990 e, dificilmente, representa os tipos familiares de hoje em dia. Nesse sentido, a partir de movimentos sociais, os quais objetivavam a liberdade de escolha de cada indivíduo, como o femininismo, novos formatos familiares foram sendo moldados, o que favorece o pleno desenvolvimento civilizatório. No entanto, a alienação parental configura um entrave para esse processo evolucionário, devido a fatores históricos e a falta de questionamento da sociedade, que representam os obstáculos a serem enfrentados.
Diante desse cenário, cabe abordar o papel da historicidade na persistência da alienação parental. Nessa perspectiva, até meados do século XX, o formato familiar aceito socialmente era composta pelo pai, pela mãe e pelos filhos bilaterais. Entretanto, mediante a Constituição de 1988, o divórcio passou a ser aceito por mecanismo legais, o que configura uma vitória para relações familiares sem vínculos afetivos ou desgastados com o tempo. Todavia, quando um dos representantes não concorda com tal prerrogativa, pode iniciar-se um processo, denominado alienação parental, com o objetivo de vingar o membro familiar pela decisão tomada. Como consequência, tal conjuntura ocasiona vicissitudes na vida da criança, a exemplo de distúrbios psicológicos, que corrompe o equilíbrio familiar.
Por conseguinte, é válido abordar a falta de questionamento civil em relação às consequências geradas pela alienação parental na vida da criança. Acerca dessa premissa, pode-se traçar um paralelo com o pensamento de José Saramago, na obra ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’, já que o autor descreve a cegueira moral vivenciada na realidade pós-moderna, a qual perpetua a negligência dos indivíduos no tocante aos problemas que outras pessoas estejam enfrentando. Diante dessa constatação, a criança que vivencia a alienação parental, além da perda do vínculo familiar primordial para o desenvolvimento social e a formação do caráter, pode desenvolver problemas de cunho escolar, refletidas na fase adulta, a exemplo da falta de concentração e do sentimento de solidão.
É evidente, portanto, que a alienação parental promove obstáculos para a vida da criança e, por isso, medidas para solucionar esse impasse devem ser aplicadas. Dessa forma, cabe ao Governo, em parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), estimular o equilíbrio familiar harmonioso e ideal para o desenvolvimento psicossocial das crianças, por meio do investimento no Projeto Semente, que possui a finalidade de promover debates sobre temáticas primordiais para a educação crítica e o desenvolvimento social da criança, com o objetivo de incitar o senso crítico e uma melhoria na qualidade de vida dos jovens. Assim, a vida em sociedade se tornará mais harmônica.