Os perigos da alienação parental

Enviada em 23/10/2019

Na novela “Êta Mundo Bom”, a personagem “Anastasia” esconde do seu filho “Candinho” a verdadeira identidade do pai. Na narrativa, “Candinho” cria uma inimizade por seu pai, que até então não sabia da sua existência, pois, crê que foi abandonado por ele. Infelizmente, a história de “Candinho” é uma realidade na sociedade brasileira, onde muitos pais usam os filhos como um mecanismo de vingança contra seus antigos parceiros. É notório que não só precariedade do sistema judicial, mas também a falta de políticas educativas sexuais contribuem para essa problemática.

De início, é necessário destacar que a pouca participação da justiça nos casos de separação colabora com a piora da saúde psíquica dos filhos. Para o filósofo Aristóteles, é necessário determinar um gênero específico de justiça para que o injusto possa ser distinguido, ou seja, é necessário a categorização da justiça para sua boa conduta. Nesse sentido, a instrução do filósofo traz um alerta para a sociedade brasileira, uma vez que diante do péssimo assistencialismo judicial prestado, diversas crianças ficam expostas aos conflitos dos pais no momento do divórcio. O resultado desse triste cenário é a baixa da saúde psíquica da criança, que por ter a guarda requerida no processo, fica refém das mais variadas alienações parentais. Dessa forma, fica evidente a necessidade de um melhor acompanhamento da criança por parte do poder judiciário no momento da separação.  D

Além disso, a ausência do estado em assuntos de caráter sexual educativo contribui com o aumento da alienação parental. Isso porque, diante da queda no número de campanhas sexuais educativas, há o aumento de relações sexuais sem o uso de métodos contraceptivos, e com isso, o aumento de gestações não planejadas. Prova desse último fato é que 55% das gestações no Brasil não são planejadas, segundo a Escola Nacional de Saúde Pública. Consequentemente, há uma maior exposição da criança a problemas psicológicos, uma vez que em boa parte há o conflito entre os pais e a falta de reconhecimento da guarda por parte de alguns. Assim, tornando necessário iniciativas que visem conscientizar a população do risco da gravidez não planejada.

Diante desse exposto, fica claro a necessidade de solucionar a problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Justiça garantir a saúde mental dos filhos durante o divórcio, através da contratação de psicólogos especialistas em atendimento infantil que realize o acompanhamento semanal desse jovem durante e após o processo, para que, logo assim, a criança se desenvolva sem criar qualquer tipo de empatia algum dos seus responsáveis. Já o Ministério da Família, deve conscientizar a população sobre o risco da gravidez indesejada, por meio de campanhas publicitárias que estimulem o uso de métodos contraceptivos. Destarte, casos como o de “Candinho” serão exceção na sociedade.