Os perigos da alienação parental
Enviada em 22/10/2019
Em sua obra “A falência”, a autora brasileira Júlia Almeida expõe na relação da protagonista com seu filho uma problemática global: a coerção psicológica do pai sobre o adultério da mãe exercida sob os filhos enfraquece o laço que eles possuem com ela. Fora das páginas, é fato que a alienação parental também acarreta diversos danos psicológicos e sociais às suas vítimas. Desse modo, infere -se como a natureza egoísta do ser humano somada à liquidez das relações modernas transfigura esse dilema em um problema social.
A princípio, reconhece-se como o espírito egoísta e catastrófico humano é responsável pelo agravamento do panorama da alienação parental. Acerca disso, rememora-se o discurso do contratualista Thomas Hobbes, que disserta que o ser humano é capaz de ferir até mesmo seus entes próximos a fim de alcançar seus objetivos próprios. Logo, a pressão psicológica de um cônjuge em relação ao outro para seus filhos, por mais que nociva às crianças, é recorrente devido a falta de altruísmo e a preponderância da natureza humana, necessariamente, hostil.
Além disso, é válido salientar como essas ações danosas são capazes de provocar dolo social, além de psicológico, às suas vítimas. De acordo com o pensamento do filósofo polonês Zigmunt Bauman, a modernidade perpassa por um período de relações líquidas que, a fim de saciar a natureza egoísta do ser humano, provoca distanciamento entre afetos familiares na esfera social. Portanto, é ponto pacífico que os jovens vítimas da alienação parental carregarão essas amarras de dificuldade de afeto e confiança ao logo de suas vidas, já que a liquidez prepondere sob a ótica do bem-estar socio-familiar.
Destarte, é evidente que medidas urgem serem tomadas a fim de dirimir a prática da alienação parental. Para tanto, é mister que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos- em parceria com o Ministério da Educação – forneça gratuitamente atendimentos psicológicos dentro das instituições de ensino. Por meio dessa ação, as possíveis vítimas da alienação parental podem se expressar e denunciar esses casos para que, além de coibir tal prática, novos agressores do bem-estar familiar não deixem prevalecer, futuramente, sua natureza hostil. Dessa forma, é passível de concepção uma sociedade na qual casos, como narrados em “A falência”, pertençam apenas a obras antigas de literatura.