Os perigos da alienação parental
Enviada em 23/10/2019
A alienação parental é um problema que assola a sociedade brasileira contemporânea , sendo inúmeras as formas das quais essa se manifesta. Seja por meios físicos ou psicológicos, a dissuasão de crianças ao ódio injustificado, para com um de seus genitores, resulta em marcas para toda vida. A construção da identidade infantil é brutalmente afetada, reverberando em comportamentos potencialmente nocivos ao decorrer da existência adulta. Desta forma, é inerente que se discuta os perigos de tal conduta.
É importante ressaltar, em primeiro lugar, que o processo de desenvolvimento comportamental é derivado das certezas e impressões que se tem sobre a própria vida. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, hábitos e condutas se originam sobre a interpretação de experiências pessoais, resultando nos pensamentos e ações exercidas no dia a dia. Nesse sentido, a influência negativa de um dos pais, ou responsáveis, possui impacto em todos os campos do relacionamento interpessoal. Por exemplo, um filho ensinado a ter repulsa de sua mãe, poderá manifestar ódio injustificado contra outras mulheres da juventude à maioridade.
Outrossim, a organização social é dependente dos indivíduos que a formam, onde eventos de âmbito pessoal possuem impactos em toda a estrutura. Segundo o sociólogo Émille Durkheim, a sociedade se assemelha a um organismo vivo, de forma que seu funcionamento é diretamente associado as unidades de sua composição. Desta forma, a manipulação parental que incite o ódio de crianças e adolescente, resultara , por fim, na dissolução de mais rancor e abuso. Por conseguinte, a raiva antes direcionada, cresce, converte-se e se multiplica, e assim surge a intolerância e o preconceito.
Infere-se, portanto, que a má atuação parental na criação de crianças e adolescentes resulta em efeitos devastadores, sendo inerente uma mudança. Para tanto, o Ministério da Cidadania em conjunto com o Ministério da Educação, devem atuar no combate e conscientização de abusos parentais, através de iniciativas publicitárias, que apresentem os riscos e consequências de tal conduta, agindo , também, na publicação de revistas infantis que dialoguem com os mais jovens, afim de torna-los aptos a buscar auxilio perante a abusos. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde viabilizar o tratamento psiquiátrico necessário aos atingidos, criando postos em escolas e associações públicas, como a dos alcoólicos anônimos, onde o ambiente propicie uma discussão organizada sediada por um profissional. Assim, o desenvolvimento identitário de crianças e adolescentes terá um espaço mais saudável.