Os perigos da alienação parental

Enviada em 23/10/2019

No início do século XX, durante o governo do então presidente Rodrigues Alves, a cidade do Rio de Janeiro recebeu a chamada Reforma Sanitariasta, realizada por Oswaldo Cruz com o intuito de melhorar as condições de vida no município. Entretanto, mais de um século depois, nota-se que, apesar dos Planos Nacionais de Saneamento Básico, os ideais de Oswaldo Cruz nunca, de fato, foram implatados de maneira efetiva em um âmbito federal. Dessa forma, observa-se que os desafios na questão do saneamento básico brasileiro devem-se, principalmente, à ineficácia governamental e à lacuna na esfera educacional que acaba por atuar na perpetuação do imbróglio.

Em primeiro plano, é relevante abordar que quase todas as representações do poder executivo brasileiro falham, de maneira crassa, em garantir um saneamento de qualidade. Corroborando o supracitado, segundo o Sistema Nacional de Informação sobre o Saneamento(SNIS), mais de 100 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto, fato esse que correlaciona-se de maneira intríseca à ploriferação de doenças e acaba por, além de causar prejuízos individuais devido às enfermidades, obrigar que o Estado direcione parte importante das verbas públicas para a atenuação de uma consequência ao invés de focalizar os esforços na solução da problemática em si. Portanto, a negligência estatal configura-se como afronta à Constituição Federal de 1988, uma vez que suprime os direitos à saúde e a ampla qualidade de vida da população.

Concomitantemente a essa dimensão política, quando o renomado filósofo Lev Vygotsky afirma que a escola não deve se distanciar dos aspectos da vida social de seus participantes, corrobora-se a necessidade de eixos como a consciência ambiental e descarte correto de resíduos serem desenvolvidos no ensino básico. Contrariamente, a educação brasileira não introduz ações pedagógicas que reflitam sobre os impactos que a falta desse descarte gera ao atingir cursos fluviais e, consequentemente, dificultar o trabalho de tratamento de efluentes realizados pelos organismos responsáveis. Assim, indíviduos pouco críticos quanto à importância de suas ações sustentam o círculo caótico do mal gerenciamento do lixo no Brasil.

Infere-se, então, que a problemática do saneamento básico brasileiro não se apresenta como tarefa fácil, porém torna-se-á a partir de uma abordagem reestrutural e educacional. Destarte, cabe à União, sob a coordenação do Ministério das Cidades, elaborar claras diretrizes para o Plano Nacional de Saneamento Básico, propondo planos de ações claros e metas para governos estaduais e prefeituras que perpassam, além dos fatores técnicos, por níveis educacionais. Essa atuação deve ser feita visando garantir a efetiva implantação do projeto e, com isso, o aumento da qualidade de vida.