Os perigos da alienação parental
Enviada em 25/10/2019
O psiquiatra Richard Gardner percebeu que crianças filhas de pais divorciados possuíam um comportamento diferente das demais. A partir de estudos, o profissional verificou que isto era decorrente da interferência negativa que, muitas vezes, o guardião exercia na relação do outro genitor com o menor. Tal mazela é denominada alienação parental e possui diversas consequências, como a possibilidade de distúrbios comportamentais na criança e também uma dificuldade de estabelecer relações afetivas com outras pessoas.
Em um primeiro plano, vale destacar que a alienação parental pode causar distúrbios de comportamento na criança. O sociólogo Zygmunt Bauman afirmou que “a cultura do sacrifício está morta. Deixamos de nos reconhecer na obrigação de viver para algo que não nós mesmos”. Analogamente a esta tese, verifica-se que o guardião que comete o crime citado, prioriza a si mesmo ao manipular o filho, a fim de que este não aprecie o outro genitor, e ignora os sérios problemas que isto pode gerar, como a formação de um indivíduo agressivo ou até mesmo depressivo. Dessa forma, a interferência negativa do alienador na formação psicológica do menor pode gerar sérios problemas mentais à vítima.
De forma análoga, vale destacar que a alienação parental pode gerar dificuldades à criança na criação de relações afetivas com outras pessoas. Segundo o filósofo Jacques Rousseau, “a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável”. A partir disto, percebe-se que a interferência do agressor na formação do menor e o não crescimento em um meio familiar harmônico, muitas vezes, gera um indivíduo que não reconhece a existência de afeto em um relacionamento e, por isso, não é capaz de estabelecer esta característica numa conexão com alguém. Sendo assim, a manipulação do filho pelo alienador estimula a criação de uma pessoa sem capacidade de se vincular ternamente com outros cidadãos.
Torna-se evidente, portanto, a importância de se combater a alienação parental. Para isso, cabe ao Ministério Público, por meio de verbas governamentais, realizar frequentemente campanhas e palestras em locais públicos que conscientizem os pais acerca das consequências do crime citado, com o objetivo de mitigar a ocorrência dos distúrbios comportamentais e da dificuldade de estabelecimento de relações afetivas frutos deste delito. Dessa forma, a sociedade compreenderá o alto risco da manipulação da criança,a fim de extinguir esta mazela.