Os perigos da alienação parental
Enviada em 28/10/2019
Inércia newtoniana
Parafraseando a primeira lei de Isaac Newton, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é, infelizmente, o hodierno cenário dos perigos da alienação parental: uma inércia que perdura em detrimento de relacionamentos malsucedidos, além do trauma causado aos descendentes. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.
Vale ressaltar, a princípio que preocupações associadas ao uso dos filhos perante aos genitores não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Ademais, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós-modernidade e, consequentemente, parcela da população tende por seus interesses acima de qualquer circunstância. De maneira análoga, é comumente ver pais que utilizam filhos como forma de manter relacionamentos reveses e, também, manipular o parceiro com o intuito de garantir interesses pessoais; tais medidas favorecem na formação de um problema social com dimensões cada vez maiores.
Faz mister, ainda, salientar as perturbações psicológicas sofridas pelas crianças como impulsionador do problema exposto. Outrossim, Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria; possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: o atual cenário dos traumas adquiridos pelos descendentes é uma das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Isto posto, enfermidades como ansiedade crônica e depressão podem ser adquiridas, ocasionando em infantojuvenis vulneráveis psicologicamente e acarretando na acentuação da problemática.
Destarte, são necessárias medidas para romper o impasse. Dessa forma, o Ministério da Educação deve financiar projetos educacionais que incluam propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre médicos e enfermeiros que informem aos pais e à população os perigos da alienação parental e como pode ser prejudicial à criança, a fim de minimizar tais atitudes esdrúxulas e promover o bem-estar e a saúde mental dos filhos. Além disso, o Governo Federal deve investir na criação de delegacias especializadas no dilema com o objetivo de tomar conhecimento dos casos e proporcionar às crianças atendimento psicológico, além de promover punições aos responsáveis - como multa e prisão por tempo determinado. Somente assim, com medidas graduais, será possível alcançar forças externas suficientes para vencer a inércia proposta por Newton.