Os perigos da alienação parental

Enviada em 28/10/2019

A alienação parental é uma prática que objetiva que uma criança ou adolescente adquira, sem justificativa, sentimentos negativos ou até mesmo ódio por um de seus genitores que se tornou crime a partir de abril de 2018. Dessa maneira, é possível afirmar que a alienação parental é uma forma de abuso psicológico que não só é capaz de causar grande estresse infantil, como também pode gerar distúrbios psicológicos nos indivíduos alienados.

A priori, convém ressaltar que a alienação parental pode deixar as crianças alienadas muito estressadas. Segundo o filósofo Jean-Jacques Rousseau, o homem é produto de seu meio. Dessa forma, seguindo a linha de pensamento do escritor suíço, uma criança que vivencia um processo de divórcio conturbado – com muitas brigas e desentendimentos entre os pais – e, ainda por cima, é vítima de alienação parental por um de seus genitores, ou seja, é estimulada a criar e guardar sentimentos negativos em relação a um de seus pais, como mágoa ou ódio, acaba por produzir em grande quantidade os hormônios adrenalina e cortisol e adquire um estresse tóxico. Desse modo, as crianças alienadas podem se tornar agressivas, adquirir depressão e apresentar baixo desempenho escolar.

Ademais, a alienação parental possui a capacidade de gerar distúrbios psicológicos nas vítimas dessa prática abusiva. O filósofo John Locke afirmou que o ser humano nasce como uma tábula rasa e que sua personalidade é construída a partir de suas experiências ao longo dos anos. De maneira análoga ao pensamento do inglês, uma criança que cresce observando as inúmeras propagandas de dia dos pais ou dia das mães com exemplos de famílias perfeitas e felizes ao mesmo tempo em que é constantemente doutrinada a sentir raiva ou mágoa por um de seus pais pode vir a se tornar uma criança depressiva e ansiosa, pois são muito altas as chances de que ela compare a realidade exaltada nas mídias tradicionais com a realidade que vivencia diariamente, na qual um de seus genitores busca das mais diversas maneiras denegrir ou excluir o outro de sua vida, e desejar essa felicidade familiar em seu lar.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Urge que as escolas de ensino fundamental e médio, por intermédio de verbas governamentais, invistam na realização de atividades lúdicas, como mesas redondas, que contem com a participação obrigatória dos pais e responsáveis pelos alunos, nas quais psicólogos e advogados discutam sobre os prejuízos que a alienação parental pode causar ao desenvolvimento psicológico de uma criança ou adolescente, além de enfatizar o fato de que é uma prática criminosa. Nesse sentido, o objetivo desta ação é criar nos genitores dos alunos a consciência de que estimular seus filhos a sentir ódio é sempre a pior das escolhas.