Os perigos da alienação parental

Enviada em 29/10/2019

Numa sociedade vetusta, com os avanços dos estudos mentais e da ciência, o conceito da Síndrome de Alienação Parental (SAP) foi conceituado pelo psiquiatra Richard Gardner e consiste em influenciar um menor para que odeie um de seus pais sem motivo plausível. Persistindo atemporalmente, nota-se que a alienação parental é uma problemática pós-moderna e pode afetar as vítimas em diversas áreas da vida. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro, destacam-se a ruptura da vida conjugal, bem como a vulnerabilidade psicológica e possíveis traumas desenvolvidos na vítima.          Em primeira análise, é evidente que o rompimento matrimonial, ou seja, os divórcios e lutas judiciais pela guarda de menores estão entre os principais motivos para a difamação de um genitor. De maneira análoga a esse cenário, o documentário brasileiro “A morte inventada”, dirigido por Alan Minas, retrata sete casos em que as relações conjugais fracassadas afetaram a convivência entre pais e filhos, além de expor depoimentos verídico acerca do distanciamento afetivo que muitas vítimas de SAP possuíam. Semelhante ao ambiente ficcional, é evidente que em vários relacionamentos conturbados, diversos genitores manipulam os filhos para afastá-los da outra pessoa -pai, mãe ou responsável. Por conseguinte, em virtude da fiscalização deficitária e sutileza dessas ações, muitos traumas são adquiridos e, em grande parte, tratados anos após a difamação.

Concomitantemente, nota-se que a alienação parental ocorre na infância, fase em que a percepção e senso crítico estão em desenvolvimento e a fragilidade emocional é maior. Sob tal ótica, o filósofo John Locke afirma que o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências ao longo da vida. Fora do cenário filosófico, é indiscutível que a SAP “preenche” o viés psicológico de uma criança e possíveis traumas são condicionados à ela. Dessa forma, assim como em “A morte invisível”, as relações afetivas e convívio social como um todo é danificado pela manipulação.

Destarte, frente a provectos fatores conjugais e fragilidade mental, a alienação parental é uma problemática em voga no Brasil. Portanto, o Ministério da Saúde, como instância máxima dos aspectos administrativos e de manutenção da saúde pública, deve criar estratégias no tocante à SAP e às possíveis consequências e traumas psicológicos advindo delas, a fim de diminuir essa prática e resguardar as crianças. Essa ação pode ser feita por meio do acompanhamento psicológico de casais em processo de divórcio, com o fito de orientá-lós acerca da melhor forma de convivência e atitudes com seus filhos. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação, por meio das instituições de ensino, divulge a alienação parental em simpósios e palestras com o intuito de formar um senso crítico mais aguçado nas vítimas e, quando necessário, direcioná-las para uma ajuda profissional.