Os perigos da alienação parental
Enviada em 01/11/2019
O titã Cronos, na mitologia grega, era conhecido por comer seus filhos. Diante disso, os deuses Zeus, Poseidon e Hades travam uma luta contra contra o próprio pai. Vitoriosos, os deuses banem Cronos e todos os outros titãs para o Tártaro, uma prisão subterrânea. Transpassado o contexto mitoló-gicio, muitas famílias, assim como na lenda, travam batalhas contra si mesmas, e isso se dá principal-mente através da alienação parental, processo no qual crianças são manipuladas psicologicamente para se virar contra um de seus genitores. Diante disso, é necessário analisar os perigos trazidos por esta mazela, tais como a danificação à saúde metal do jovem e a perda do convívio familiar.
Primeiramente, observa-se que o ato de usar filhos como instrumento de vingança traz problemas psicológicos ao juvenil. Nesse sentido, convém analisar o livro “O Suicídio”, do sociólogo Émile Durkheim, o qual teoriza que momentos de crise ou de mudança podem servir como gatilho para o de-senvolvimento de problemas emocionais. Acerca dessa lógica, uma criança quando vê os pais se di-vorciando se torna suscetível a piorar sua saúde mental, no entanto, quando estes sentimentos são im-pulsionados por algum dos pais como forma de revanche, o bem-estar psicológico desse filho pode piorar ainda mais, pois ele desenvolverá sentimentos de raiva, ansiedade, tristeza e até mesmo culpa. Destarte, combater este problema é fundamental.
Outrossim, a ilusão dos progênies em relação à um dos progenitores dificulta o convívio parental. Nesse tocante, o Estatuto da Criança e do Adolescente tem como um dos deveres da família a garantia ao convívio familiar. Contudo, a situação das mentiras contadas para prejudicar um parente faz com que este miúdo se torne um cidadão de papel, segundo a teoria do jornalista Gilberto Dimestein, na qual a pessoa tem os direitos negligenciados, garantidos apenas na teoria, mas não na prática. Desse modo, a falta de convivência parental evita que o rebento cresça em um ambiente saudável e que se desenvolva em diferentes áreas socioemocionais. Logo, esta prática falaciosa deve ser combatida.
Infere-se, portanto, que a alienação parental é demasiadamente perigosa para o crescimento da criança, e deve ser enfrentada. Diante disso, é necessário que o Poder Judiciário, já que é o responsá-vel pela garantia da aplicação e cumprimento das leis, por meio de observatórios itinerantes compostos por juízes da vara da infância e família, promova a fiscalização do efetivo acatamento da lei 13.421/17, que configura a alienação parental como crime, com fito de minimizar a ocorrência deste infração. Ademais, urge que o Ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos ofereça a assistência de psicólogos, gratuitamente, às famílias que passam por este problema. Somente dessa forma, os filhos poderão, diferentemente da mitologia, ter melhor convívio com seus pais.