Os perigos da alienação parental
Enviada em 10/12/2019
É inegável que o divórcio de um casal é bastante difícil, tanto para os próprios genitores como para seus filhos. Contudo, observa-se que afeta mais severamente as crianças. Isso porque elas, a depender da idade, não possuem o adequado entendimento da situação e podem desenvolver ressentimento pelos pais em virtude da separação. Essa realidade é acentuada quando o representante legal manipula o menor fragilizado para se posicionar contra um dos lados e, assim, constrói barreiras na relação entre ambos. Tal entrave é altamente prejudicial para a formação desse indivíduo.
Com efeito, a alienação parental tem por causa sentimentos de mágoa, frustração e raiva. Assim, afigura-se como uma represália da parte de um dos pais contra o outro. Nesse ínterim, os filhos são usados como instrumento para tal fito. Outrossim, a manipulação pode ocorrer pelas duas frentes, e há um agravamento desse quadro em casos de custódia compartilhada. Por tal razão, o relacionamento entre eles torna-se conturbado, com perda da identidade paterna ou materna, bem como da figura de autoridade. Logo, as implicações disso são efeitos nocivos no desenvolvimento social e psíquico da criança.
Indubitavelmente, a convivência em um ambiente marcado por contradições e desafeto é extremamente maléfica para a saúde mental de qualquer pessoa. Na infância, as consequências manifestam-se na forma de dificuldade no relacionamento interpessoal; baixo rendimento escolar; senso de identidade fluido; transtornos psicológicos como depressão, ansiedade, déficit de atenção; visão inferiorizada de si; etc. Além dos danos e distúrbios aos quais está suscetível, o alienado estará mais vulnerável, na adolescência e na fase adulta, a diversas influências negativas — a exemplo, o uso de drogas e a violência.
Diante do exposto, infere-se que a harmonia no seio familiar é preponderante no desenvolvimento e na saúde de crianças e adolescentes, bem como no equilíbrio e consolidação da moral ao atingirem a maioridade. Na seara da psiquiatria, Freud e Lacan preceituavam essa ideia, com base em observações clínicas. Nesse sentido, é essencial que os pais se conscientizem de que a alienação aos filhos irá comprometer sua saúde e futuro. Em seguida, devem dialogar com seus rebentos, de forma a fazê-los compreender que a separação não irá interferir em sua relação de afeto e apoio. Por se tratar de uma situação dura, é ideal que recorram à ajuda de um psicólogo, a fim de auxiliá-los. Ademais, a escola deve averiguar se ocorre alienação parental e evitá-la ao conversar com os envolvidos. Dessa forma, os filhos passarão por esse processo de modo pacífico e terão desenvolvimento social e psicológico sadios.