Os perigos da alienação parental

Enviada em 25/02/2020

Na sua obra ‘A República’, Platão afirma que na sociedade perfeita as crianças deveriam ser criadas por tutores desde o nascimento para que as ideologias dos pais não passassem para os filhos. De fato, ele estava certo, pois a sociedade encontra desafios para combater a alienação parental. Posto que, o número de processos contra ex-cônjuges vem aumentando no país, e a vítima por ser incapaz de realizar a autodefesa termina por disseminar difamações e discurso de ódio criado pelo membro opressor. Certamente essas adversidades persistem seja por falta de aplicação de  leis que impeçam esse crime ou pela dominação opressora de membros indefesos.

Primeiramente, é válido ressaltar que embora o Estatuto da Criança e do Adolescente - Eca assegure por leis o bem-estar físico e psicológico do menor, o aumento de processos em relação à alienação parental tem aumentado de forma exponencial. Segundo dados divulgados pelo portal ‘G1’ processos dessa característica tiveram um aumento de 27% entre os anos 2016 a 2019. Nesse sentido, o discurso de ódio do cônjuge alienador provoca distúrbios no desenvolvimento psicológico do jovem, além de construir sentimentos de repulsa ou ainda a quebra de vínculos definitiva com o seu genitor(a). Dessa forma, é perceptível que embora haja leis que punem esse ato, existem falhas na sua aplicação que contribuem para a permanecia desse quadro deletério.

Em segundo plano, é válido ressaltar que os primeiros anos de vida são fundamentais para a criança visto que, é neste período que o cérebro realiza cerca de 700 sinapses neurais por segundo, o que no futuro sera usado como alicerce no desenvolvimento psicossocial do individuo, e uma pertubação psicológica na infância contribui para o enfraquecimento dessa estrutura neural. Ainda, segundo o psiquiatra Richard Gardner, a alienação parental não é caracterizada apenas como um crime, mas como uma síndrome, movida por um desequilíbrio emocional que torna a relação paterno-filial instável.

Desarte, urge que o Ministério da Justiça atue, por meio de  visitas domiciliares feitas por profissionais da área, na manutenção das leis, as quais já punem os gestores alienantes como também na fiscalização sobre a sua aplicação, para que, assim os jovens não sejam prejudicacdos em sua formação psicológica e comportamental. Ademais o governo, juntamente com a mídia, deverá possibilizar um maior contato da sociedade sobre esse tema mediante a campanhas publicitarias de conscientização que divulguem as formas de identificar a alienação parental, e ainda as consequências para vítima com o objetivo de aumentar o debate sobre o ato e mitigar a opressão dos menores.