Os perigos da alienação parental
Enviada em 01/03/2020
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne aos perigos da alienação parental em questão no Brasil. Dessa forma, observa-se que o óbice reflete um cenário desafiador, seja em virtude da falta de um monitoramento psicológico, seja pela dificuldade em comprovar a ação.
A priori, aponta-se como um empecilho à consolidação de uma solução, a falta da participação efetiva de um profissional da área psicológica para evitar o influxo sob o acometido. Nessa perspectiva, pode-se observar na prática a teoria da tábula rasa, do filósofo inglês John Locke, que compara a mente humana com uma folha em branco, que é preenchida por influências e experiências. Com base nisso, pode ser levada em consideração a importância do psicólogo nessa conjuntura de alheamento familiar, já que a construção da personalidade em meio à práticas de manipulação adotadas pelos genitores, carentes de imparcialidade, afetam diretamente o futuro do progênito.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a ilusão da impunidade a respeito da ação. Por certo, não é do conhecimento dos responsáveis a existência de uma lei específica com possibilidade de punição. Indubitavelmente, essa crença tem relação à ineficácia na realização das perícias judiciais, que sem a comprovação categórica de alienação por parte do menor não há provas suficientes. Assim, pode-se compreender o crescimento dos casos registrados no país entre 2015 e 2017, que, segundo o Conselho Nacional de Justiça, chegou a 5.688.
Portanto, para que os ideais de liberdade responsável defendidos por Sartre não sejam apenas uma proposição teórica, mas se torne uma realidade em nossos dias, é necessária uma ação mais efetiva dos agentes cabíveis. Sendo assim, o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), oferecido pelo CRAS, precisa se atentar à disponibilidade de um acompanhamento psicológico social para consultas constantes com famílias em processo de divisão da guarda, como forma de conter, identificar e informar a prática de atos de alienação parental, seus efeitos e punições. Dessa forma, é produzido um efeito psicológico e simbólico, pois todo pai/mãe a partir do conhecimento das consequências, aos primeiros sinais já acende o alerta para sua evitação.