Os perigos da alienação parental
Enviada em 17/04/2020
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito dos perigos da alienação parental. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente as diretrizes modernas, mas também, ao modo como cônjuges administram o divórcio.
De início, irrompida em meados do século XX, a Terceira Revolução Industrial trouxe para a humanidade inúmeros avanços. Em conjunto com as inovações tecnológicas, as transformações das relações sociais se configuraram como elementos característicos dos novos tempos, os tempos líquidos, termo proposto por Zygmunt Bauman que designa o atual estágio da sociedade contemporânea. Tais aspectos, para o bem ou para o mal, são responsáveis pela continuidade do remodelar e revolucionar, ambas inerentes as mais distintas áreas de atuação do ser humano. A exemplo, tem-se as junções matrimoniais, a quais segundo o IBGE, registraram um alarmante crescimento de 161,4% no número de divórcios entre 2004 e 2014. Esse cenário, por sua vez, tornou-se o grande responsável pela formação e a dispersão da alienação parental.
Em segundo plano, a forma irresponsável com que alguns casais administram o divórcio contribui para a acentuação da problemática. Consoante à teoria da Tábula Rasa, de John Locke, o ser humano é como uma tela em branco, que é preenchida a partir de experiências e influências. Nesse sentido, ratifica-se a importância que os pais possuem no desenvolvimento e na transmissão de valores aos descendentes, sobretudo no âmbito comportamental. Em virtude disso, os responsáveis pela criança precisam entender que, ao envolverem-nas na má condução de um divórcio expondo-as a uma relação conturbada, possibilitarão uma formação psicológica e afetiva deficitária em crianças e adolescentes. Afinal, de acordo com o filósoco Rousseau, o homem é produto do ambiente em que vive.
Logo, para que o triunfo sobre os perigos da alienação parental seja consumado, urge que o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova visitas periódicas de psicólogos as instituições familiares brasileiras, de modo a amenizar os possíveis impactos psicossociais nas crianças. Ademais, essa ação deverá ser acompanhada por agentes do conselho tutelar, com o fito de garantir que a criança passe por essa situação sem grandes danos emocionais. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados na publicidade midiática, de formar a esclarecer e alertar as consequências negativas da alienação parental para a formação social da criança. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.