Os perigos da alienação parental
Enviada em 22/06/2020
Na novela “Amor de Mãe”, a personagem Leila, insatisfeita com o divórcio, usa a própria filha para se reaproximar do ex-marido, afetando a relação da menina com o pai. Fora da ficção, tal situação não é diferente, pois é comum que, após separações conflituosas, um dos progenitores manipule o filho do casal contra o outro, o que configura-se como alienação parental. Nesse contexto, deve-se analisar que a irresponsabilidade parental e impasses na lei e influenciam a permanência do problema.
Inicialmente, é importante destacar a irresponsabilidade parental como um agravante da problemática. Em sua obra “Amor Líquido”, o filósofo Bauman, aponta a fragilidade dos relacionamentos contemporâneos, sendo marcados pelo individualismo e busca pela satisfação própria. Analogamente, essa fluidez nas relações reflete-se não só no fim do casamento, mas também na forma de lindar com a separação, tendo em vista que, movido pelo desejo individual de vingança, um dos genitores acaba difamando o outro pro filho, abalando o vinculo afetivo entre eles. Consequentemente, a criança é privada de conviver com ambos os pais e, em meio as conflitos, pode desenvolver problemas psicológicos.
Além disso, alguns impasses existentes na lei também é um problema. Criada em 2010, a Lei da Alienação Parental (LAP) visa proteger os direitos das crianças e adolescentes vítimas desse tipo de abuso. No entanto, há discussões em torno de tal legislação, uma delas é a contradição de sua aplicação, haja vista que, em alguns casos, afastar o genitor alienador como punição pode causar sofrimento ao filho, devido a quebra do vínculo afetivo. Logo, em vez de estabelecer medidas pacificadoras entre os pais, a lei parece tornar as relações mais conflituosas, comprometendo o bem estar e o direitos da criança.
Portanto, ficam claros o fatores que influenciam a alienação parental. Assim, o Conselho Tutelar local deve promover campanhas socioeducativas, com a participação de psicólogos que expliquem as características da alienação parental, a fim de que jovens possam identificar se são vítimas de tal abuso - influenciando a denúncia. Ademais, cabe o Legislativo revisar a LAP, implementando formas mais pacificas de tratar os processos judiciais, no intuito de que o bem estar da criança não seja comprometido. Dessa forma, os filhos não serão mais vítimas em meio ao divórcio dos pais.