Os perigos da alienação parental
Enviada em 23/03/2020
“Oh! Que saudades que tenho/Da aurora da minha vida/Da minha infância querida…”. No poema “Meus oito anos” do ilustre poeta Casimiro de Abreu, nota-se a alegria ao lembrar da infância. No entanto, tal alegria não tem sido totalmente concretizada na vida de crianças e adolescentes devido o perigo iminente causado pela alienação parental, a qual causa prejuízos nas relações familiares. Sob tal ótica, a desestruturação familiar bem como a falta de informação sobre o assunto intensificam essa lamentável realidade. Assim, é oportuno avaliar os delicados impasses frente a problemática em questão.
Em primeira análise, cabe pontuar as rupturas familiares como precursoras da violência emocional, a qual os infantes têm sido submetidos. Nesse viés, a alienação parental configura-se como uma manipulação psicológica, principalmente, com relação a pais divorciados, tendo por consequência marcas indeléveis, insegurança e prejuízos na manutenção de vínculos com um dos genitores. Acerca disso, vê-se um contexto de violência simbólica - conceito do exímio sociólogo Pierre Bordiaue -, na medida em que a criança ou adolescente é visto como objeto de vingança de quem deveria cuidar e proteger em uma fase tão tenra da vida. Dessa forma, essa prática age como rompedora de relações saudáveis.
Outro ponto a ser analisado, é a necessidade de informação tanto para pais quanto filhos. Isso porque, ambos genitores ou responsáveis pelo infante devem estar cientes de seus direitos e deveres, além do que as crianças precisam ter conhecimento sobre o assunto, caso sofram algum tipo de alienação no que tange a família. Nesse sentido, pesquisa realizada pelo TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) informa que os casos de alienação parental duplicaram de 2016 a 2017, logo torna-se fundamental ações que incentivem e informem para além da problemática em questão.
Fica claro, portanto, que é imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Posto isso, cabe ao Ministério da Justiça, mediante Conselho Tutelar, criar um Projeto Nacional, que consistiria em dar maior agilidade na resolução dos casos, além de acompanhar as famílias no desenvolvimento de reações amistosas, ademais, podem ministrar mini-cursos em escolas públicas e privadas sobre o tema em questão para envolver pais e filhos, como também apoio psicológico. Essas medidas têm por finalidade a diminuição do problema e maior segurança às crianças e adolescentes.