Os perigos da alienação parental
Enviada em 01/05/2020
No filme americano “História de um Casamento”, é mostrado a narrativa de um casal e seu divórcio, em que há um foco na briga judicial entre os dois pela guarda do filho, o que causa diversos problemas e desgastes psicoemocionais aos envolvidos. Saindo dos tablados da ficção, sabe-se que essa realidade é cotidiana no Brasil, onde há, comumente, uma alienação parental sobre as crianças, em que os pais ou familiares manipulam as decisões e ideias dos filhos com objetivo de vantagens judiciais. Dessa forma, é essencial indagar os impactos causados à saúde mental e à construção educacional da criança.
Em primeiro plano, deve-se analisar que essa persuasão é construída aos poucos, em que se molda um pensamento de maneira voluntária na criança, inserido por uma manipulação psicológica por parte dos genitores, o que afeta a saúde psicológica da criança e seu desenvolvimento desde a primeira infância. Nessa perspectiva, o filósofo francês pós-estruturalista Michel Foucault, no livro “Vigiar e Punir”, expõe o conceito de disciplinarização dos corpos, em que “corpo dócil” é todo aquele que pode ser facilmente utilizado, submetido e “aperfeiçoado”, havendo, portanto, uma espécie de “lavagem cerebral”. Assim sendo, é visto que a alienação parental funciona como a disciplinarização descrita pelo pensador francês, e, destarte, é inadmissível que haja uma persistência do panorama supracitado, já que induz a criança a uma infância conturbada e psicologicamente nociva.
Outrossim, é inegável que essa alienação gera impactos à construção educacional da criança, além de suas futuras liberdades e escolhas. Nesse viés, segundo o filósofo prussiano racionalista Immanuel Kant, a menoridade é período em que o homem não é capaz de pensar por si só ou questionar, sendo controlado pelo o que o circunda. Dessa forma, no cotidiano brasileiro, os jovens que tem seus pensamentos e sentimentos submetidos a disciplinarização dos seus genitores são impossibilitados de raciocinarem de maneira independente, sendo, então, acríticos, escravos de pensamentos terceiros e permanecendo sempre na menoridade dita pelo pensador racionalista.
Portanto, fica evidente que a alienação parental é precursora de diversos problemas psicológicos e da “acritização” hodierna, o que carece de intervenção no país. Em vista disso, o Ministério da Justiça deve aprimorar a aplicação de leis e sobre essa manipulação familiar, de modo que haja uma parceria com os sistemas de ensino para acolher denúncias, a fim de preservar uma infância saudável e livre para sentir e pensar. Assim, então, será possível se promover um psicológico estável nas crianças e, posteriormente, alcançar a maioridade Kantiana.