Os perigos da alienação parental
Enviada em 29/04/2020
O filme A morte inventada retrata o drama de pais e filhos que tiveram seus elos rompidos por uma separação mal conduzida e foram vítimas da alienação parental. Similarmente, esta é a realidade de milhares de famílias. Ademais, o grande impasse disso é que a alienação parental contribui com o desenvolvimento de problemas psicológicos nos membros indefesos, isso ocorre devido ao uso deles como meio para vingança contra o ex-cônjuge e por causa da insegurança de um dos envolvidos, gerada por uma crise ética.
Em primeira análise, conforme o psiquiatra Richard Gardner, a Síndrome da Alienação Parental consiste na coerção de um jovem a fim de promover o rompimento dos laços afetivos com um dos progenitores, criando sentimentos de rejeição em relação a ele. Uma vez que, um dos lados interfere na formação da cria e a manipula para afasta-lá de seu familiar, isso equivale a crime de violência psicológica, o que colabora com o crescimento de transtornos mentais - como depressão - em crianças e adolescentes. A prova disso, é que segundo dados do IBGE, cerca de 80% dos filhos de pais separados são chantageados emocionalmente por um dos genitores e além disso, 16,66% dos jovens entre 10 e 19 anos sofrem com depressão, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde).
Em segunda análise, é válido relembrar que para o filósofo Immanuel Kant, as ações consideradas éticas são avaliadas pelo caráter categórico, ou seja, devem ser pautadas com o ideal de empatia universal. Dessa forma, as instituições familiares falham ao aplicar o exercício ético generalizado, visto que a difamação e o discurso de ódio gerados pela alienação parental provocam distúrbios e efeitos psicológicos na formação de jovens que, nessa perspectiva, crescerão em um ambiente conturbado e distópico da expectativa moral universal, o que contribui para a rebeldia, de acordo com o IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família) 72% dos jovens que cometem crimes graves vivem em lares de pais separados e são frutos de alienamento familiar.
Portanto, o filme supracitado, baseado em depoimentos reais de vítimas da alienação parental, mostra as sequelas psicológicas e como afetou os seus relacionamentos futuros. Dessarte, é inquestionável os perigos de tal ilusionismo, logo, é imprescindível o comprometimento do Ministério da Justiça e da Associação Brasileira de Defesa da Infância e da Juventude. Então, devem reavaliar as leis de proteção a criança e ao adolescente, por meio de rígidas investigações quanto a manipulação dos jovens e de aconselhamento familiar sobre os efeitos desses atos sobre as crianças, de modo que haja uma parceria com as instituições de ensino para acolher denúncias, a fim de restaurar a integridade desses jovens e diminuir o número de casos de transtornos mentais entre eles, deixando seu lar afável.