Os perigos da alienação parental
Enviada em 06/05/2020
Na série canadense “Anne With An E”, é narrada a história de uma garota ruiva chamada Anne que viveu em um orfanato desde que tinha 2 anos por causa da morte de seus pais, e então passou sua infância inteira sofrendo por não saber sobre suas raízes e por estar sem família. Nesse sentido, partindo dessa realidade cinematográfica e comparando-a com a atual conjuntura brasileira, nota-se com clareza que diversos perigos são trazidos junto com a alienação parental, que é recorrente no país. Dessa forma, esse tema torna-se pauta para ampla discussão em no mínimo dois aspectos: sequelas psicológicas e distúrbios sociais.
Em primeira análise, é importante ressaltar que a alienação parental consiste, basicamente, em um membro familiar – como pais ou avós – que repudia um dos outros genitores ou dificultam a manutenção de vínculos com ele. Nessa perspectiva, à luz da Constituição Federal, art. 227, toda criança ou adolescente tem direito ao convívio da família e isso é assegurado pelo Estado. No entanto, é diariamente vista a quebra dessa garantia, uma vez que existem constantes casos de alienação parental no Brasil, a qual podem acarretar em diversas sequelas ao indivíduo, dado que é irrefutável que os seres humanos, quando jovens, necessitam de cuidados e a negação disso pode pode causar danos aos seus estados mentais, podendo citar a ansiedade e a depressão. Logo, com o sofrimento causado por tal exclusão, é notada a ausência do que é prometido pela Constituição Federal.
Em segunda análise, além dos traumas psicológicos que os menores adquirem, é também imprescindível frisar os distúrbios sociais que podem surgir junto com tal privação. De acordo com o site “G1”, o número de casos notificados de alienação parental cresceu aproximadamente 10% de 2016 para 2017, o que é gravemente preocupante, visto que muitos desses quadros levam consequências às crianças que passam por esse problema, o qual, muitas vezes, ocasiona em disfunções sociais devido aos abalos psicológicos sofridos, como a dificuldade de comunicação com outras pessoas e a falta de auto-estima. Portanto, realidades árduas como a apresentada em “Anne With An E” tornam-se mais presentes no cenário nacional hodierno.
Diante desse panorama, para mitigar a alienação parental recorrente no Brasil, faz-se mister que o Estado – órgão máximo de poder público no país – promova em toda a nação medidas intervencionais, como a divulgação de dados que mostrem os malefícios dessa prática e a promoção de meios de denúncia, por meio da participação de profissionais da área, com o objetivo de conscientizar a população e extinguir tal prática. Assim, uma vez garantidas tais ações, ocorrerá a melhora da problemática apresentada na comunidade brasiliana.