Os perigos da alienação parental

Enviada em 10/05/2020

Na obra cinematográfica “O vencedor”, é retratado o afastamento de dois membros de uma família pela manipulação provocada pela ex-companheira. Infelizmente, essa situação não se restringe apenas á ficção. No Brasil contemporâneo, a postura de muitos brasileiros é pautada na alienação parental de crianças e adolescentes, cujos efeitos comprometem o convívio social e prejudicam o desenvolvimento do indivíduo. Dessa forma, nota-se a necessidade de medidas que possam sanar a questão.

Nesse âmbito, é válido destacar que a Constituição Federal determina que é dever do Estado garantir a proteção integral à criança e ao adolescente. Entretanto, não é o que acontece, uma vez que se observa com frequência o número de jovens que apresentam danos psicológicos e físicos, causados pela manipulação parental, sendo reféns de um ambiente caótico e desestruturado. Decerto, essa conjuntura de negligência, além de ferir a Carta Magna brasileira, impede que a harmonia doméstica seja consolidada. Logo, nota-se que o abuso psicológico é um propulsor para a danificação do vínculo entre a criança e genitor.

Ademais, a falta de amparo direcionada para criança após o divórcio evidencia a hegemonia de um corpo social moldado no individualismo, o que reforça comportamentos omissos. Nessa perspectiva, o sociólogo Pedro Scuro afirma é no seio familiar que o indivíduo absorve valores que se integrarão à sua personalidade, e serão reproduzidos na convivência com os demais membros. Sob tal ótica, fica nítido que a família assume um papel crucial no contexto da formação do sujeito, dessa forma a falta de ética existente no relacionamento entre os genitores gera problemas psicológicos e sociais no filho. Em verdade, é notório que assegurar a empatia entre os indivíduos da sociedade é um caminho inebriante para combater a alienação parental.

É necessário, portanto, que os atores sociais trabalhem juntos frente à incidência da manipulação parental no Brasil. Para tanto, a escola e a família devem viabilizar e fortalecer a difusão da ética acerca daquela implicatura, pois desconstruir a alienação nesses ambientes é preservar a integridade psicológica da criança ou do adolescente e assegurar sua convivência com genitor. Além disso, tal empreitada intersocial será executada por intermédio de um ciclo de ações engajadas, a exemplo de atividades lúdicas e projetos, que incutam o sentimento de alteridade no trato social. Por fim, objetiva-se distanciar a realidade brasileira da obra “O vencedor”.