Os perigos da alienação parental

Enviada em 12/05/2020

No decorrer da sua formação histórica, a sociedade brasileira sempre fomentou a construção de uma estrutura familiar tradicionalista, a qual, em muitos casos, se baseava em relacionamentos abusivos e falhos, com a preponderância recorrente de influência psicológica por uma das partes. Apesar dos avanços sociais terem possibilitado que o conceito de sociedade familiar fosse alterado e ampliado, nós ainda lidamos com um dificultoso cenário que vem se agravando a medida que os vínculos conjugais são desfeitos, e a lutas externas e internas se tornam um ciclo doloroso para as partes envolvidas.

Foram diversas mudanças sociais, econômicas e psicológicas que os lares brasileiros vivenciaram nas últimas décadas. Entre elas está a ascensão do papel da mulher no ambiente econômico e a consequente redução da sua jornada de trabalho em casa, além das crises financeiras que abalaram o mercado global e a estabilidade emocional de muitas famílias. O mundo não é mais o mesmo que há trinta anos atrás. E, por conseguinte, nem os lares brasileiros.

Desde 1984 até 2016, o número de divórcios no Brasil mais que triplicou de acordo com o IBGE. E com isso, testemunhou-se o crescimento de processos judiciais intensos, muitas vezes motivados pela acumulação de ressentimentos provocados por uma desastrosa relação afetuosa. O abuso psicológico se evidencia nessas ações judiciais quando, muitas vezes, um dos cônjuges encontra como forma de reforço de sua influência naquele contexto, uma maneira de inserir o(a) filho(a) no conflito para atacar emocionalmente o outro genitor.

Uma vez que os vínculos são diferentes e as cargas sentimentais também, os abusos psicológicos se tornam um viés para uma das partes. Esses abusos podem ocorrer em diversas formas, desde o menosprezo e diminuição da importância da figura do outro genitor na vida da criança, ou com limitações da participação do mesmo no dia a dia do filho. Entretanto, muitos agentes “alienadores” não esperam que esse comportamento possa acarretar um turbilhão de complicações no desenvolvimento psíquico da criança, que se sente divida dentro da relação parental a qual a mesma está inserida. Porém, as consequências podem ser inúmeras, incluindo um transtorno depressivo e ações violentas perante o outro genitor por parte da criança, a qual foi convencida de que foi rejeitada pelo mesmo.

Para que essa situação não atinja quem mais deve ser protegido dentro de uma estrutura familiar, a criança, é de suma importância que haja um acompanhamento psicológico por todos os indivíduos inseridos nesse cenário pós-divórcio, além de se dar como ferramenta importante uma intervenção jurídica no momento em que o sistema judiciário perceber que um dos genitores ou responsáveis estão utilizando a alienação parental afim de atingir o outro.