Os perigos da alienação parental

Enviada em 19/05/2020

O filme italiano “A vida é bela”, além de todo o contexto histórico do fascismo, evidencia a cumplicidade conjugal dos pais do pequeno Giosué, que resultou no esforço comum deles para superar os sofrimentos de um campo de concentração e manter a unidade familiar. Contudo, na contemporaneidade, especificamente sob a iminência de separação conjugal, a alienação parental, caracterizada pela manipulação da prole em detrimento, ao menos, de um de seus genitores, revela-se como um problema, sobretudo, em razão de seus riscos, devendo, portanto, ser colocada em relevo e combatida, a fim de não lesar a formação da personalidade humana desde tenra idade.

Primeiramente, a mulher, desde a amamentação primeva, estabelece com o bebê um vínculo perene e íntimo, ao ponto de que, segundo Lacan, a mãe obtém, nesse ato, segurança afetiva e psicológica suficiente para cuidar de seu filho e formar um indivíduo confiante e autossuficiente com o passar dos anos. Por outro lado, sabe-se ainda, que os pais são a primeira referência de seus filhos e a influência deles sobre a descendência é capaz de imprimir-se, até mesmo, em decisões de longo prazo. Sobre isso, o jornalista Paul Hepburn, em seu livro “O novo papel do pai”, afirma que garotas cujo desenvolvimento foi estreitamente acompanhado pelo genitor masculino, via de regra, atingem maior grau de escolaridade, evitando gravidez na adolescência e envolvimento com drogas. Logo, observa-se que a alienação parental pode lesar profundamente a criança, pois, afeta relações de forte impacto e profundidade na vida psicoafetiva e social dela, também podendo prejudicá-la em fases subsequentes.

Ademais, a alienação parental trás prejuízo no comportamento do filho, tendo em vista que com o conflito entre os pais faz com que a autoestima decaia, o rendimento escolar se comprometa e, como os pais são espelhos para a criança ou adolescente, podem reproduzir o comportamento de possessão e manipulação, gerando um ciclo. De acordo com o G1, a alienação parental trás dificuldades de vinculo, isolamento, depressão e alguns transtornos que vão afetar a vida toda do filho que sofre desse mal. Isso reafirma que a alienação parental é perigosa e, certamente, deve haver medidas para que ela não aconteça.

Destarte, para que a alienação parental minimize no Brasil é imperativo que o Governo Federal, na figura do Congresso Nacional, juntamente com o Conselho Tutelar criem estatutos específicos de combate a essa temática. Isso pode ser materializado em leis que promovam sanções afetivas, como o distanciamento do alienador da vítima, e financeiras, com a instituição de multas e penhora de bens, a fim de intimidar esses indivíduos no que se refere à alienação e possibilitar a diminuição desse crime no país.