Os perigos da alienação parental

Enviada em 19/05/2020

Na contemporaneidade, não é difícil encontrar casos de alienação parental, em que um dos pais tenta incentivar o filho a repudiar o outro progenitor. Isso se trata de um conflito familiar com o fim de interesse ter a criança ou adolescente. Entretanto, essa desavença entre os genitores não vai causar estresse apenas nestes, afetará também o infanto-juvenil, trazendo perigos ao psicológico e na formação do comportamento desse.

A princípio, é válido ressaltar que um dos principais perigos da temática se deve ao fato da falta de uma punição específica para esse tipo de prática no Brasil. A esse respeito, embora a Constituição Cidadã de 1988 assegure em seu estatuto burocrático a proteção à infância e à adolescência, ainda não há leis definidas que condenem os casos de alienação parental. Isso faz com que esse tipo de conduta se torne recorrente em vários lares. Essa situação para o psiquiatra Augusto Cury pode gerar instabilidade no desenvolvimento pessoal e no convívio social da criança, uma vez que o atrito parental contribui para o isolamento do indivíduo, o que configura um sério perigo à sua vivência.

Em face desses óbices, marcas indeléveis são impressas na psique dessas crianças, as quais se vêem em meio a esse “fogo cruzado” de perversidades. Segundo o alemão Sigmund Freud, é a partir do desenvolvimento - abstrato e inconsciente - dos complexos de Édipo e de Electra que a criança constrói a idealização do modelo de relacionamento em seu devir. Indubitavelmente, esse constructo deformado do modelo familiar torna a mente infantil um ambiente propício e fértil para uma gama de doenças psicossomáticas, as quais tem se tornado cada vez mais frequente entre crianças e jovens, pois segundo a OMS ( Organização Mundial de Saúde) três em cada dez indivíduos com idade entre quatro e dezesseis anos já apresenta algum tipo de distúrbio psico-neurológico.

Por conseguinte, tendo em vista que o psiquismo da progênie pode ser lesado pela negligência do convívio com um de seus progenitores, impende ao Ministério da Saúde criar projetos que, junto ao pré-natal, instrua pais e mães acerca dos perigos da alienação de sua pessoa , destacando, especialmente, o papel e a influência deles em relação à criança, desde a vida intrauterina. Tais projetos devem contar com recursos públicos, psicólogos e assistentes sociais a fim de auxiliar no desenvolvimento integral da família. Dessarte, seja o Brasil uma pátria “mãe gentil”, diferente da Itália, outrora fascista, de Giosué.