Os perigos da alienação parental
Enviada em 26/05/2020
Michel de Montaigne, em seu ensaio sobre o papel parental, expressou as facetas negativas e positivas acerca de ser pai, registrando sua óptica, certamente, ingênua em face dessa questão. Isso pois, embora abrangente, o filósofo não contara com a alienação parental, problemática cujas diretrizes incitam uma coação de má-fé, a qual promove antolhos emocionais aos descendentes.
Primeiramente, afirma-se que os filhos, vulneráveis psicologicamente em razão da idade, são manipulados de maneira dolosa. Tal fato, na visão do genitor que induz, dialoga com o viés utilitarista de John Stuart Mill, quem preconizara a soberania dos objetivos sob os meios para os alcançar. No entanto, John se referia a um nível maior, na medida em que, ao nível individual, na óptica da problemática, tal viés é conflitante até mesmo com a ética pessoal, haja vista que menores não deveriam ser coagidos.
Por conseguinte, enquanto essa conjuntura perdurar, cria-se atalhos mentais nos menores em face do outro genitor. Essa noção, broncamente, é a construção de pré-conceitos, com base na ocação supracitada, os quais são consoantes à visão do manipulador: manifestando-se, por exemplo, por violência, agressões verbais, menosprezo, etc. Evidência disso é o jogo “Life is Strange: Before the Storm”, no qual a personagem Rachel é induzida a crer, por seu pai, que a sua verdadeira mãe não a queria.
Portanto, vista a intempestividade dessa mazela, infere-se a imperiosidade em dissolvê-la para evitar a alienação parental. Para tanto, compete à sociedade mundial, por meio das redes sociais, o dever de denotar campanhas e anúncios que informem sobre as intempéries desse tópico, a fim de ora dialogar com os genitores-vítimas, ora com os coagidos, o que se torna possível a depender da idade e do acesso à internet do menor, para compreender e tolher qualquer situação similar à de Rachel em “Life is Strange: Before the Storm”.