Os perigos da alienação parental
Enviada em 26/05/2020
O fim de um relacionamento é um marco na vida do casal, embora as crianças sejam as que mais sentem essa mudança. Sua rotina muda, e sentimentos como medo e insegurança podem aparecer em diferentes doses, dependendo da criança e, também, da forma como os pais vão lidar com a situação. A alienação parental é uma problemática recorrente em casais divorciados que podem agravar ainda mais, a situação dos filhos,gerando consequências futuras sérias e duradouras. Para tanto, são necessárias ações por parte do núcleo familiar e instituições de ensino.
A princípio, é importante compreender que a alienação parental é uma mazela antiga da sociedade e por muito tempo não foi dado a ela a real importância. Na década de 80 o psiquiatra alemão chamado Richard foi quem deu nome a essa realidade, mas no Brasil somente em 2010 é aprovado um projeto de lei para tratar do assunto. Com isso, é possível concluir que muitos adultos da atualidade trazem consigo inúmeras consequências que tem como raiz esse trauma que viveram no início da vida e que não foi trabalhado da maneira correta, como afirma Beatrice Marinho Paulo, autora do artigo “Transtorno do Amor Parental”.
Além disso, no processo da alienação o filho deixa de ser o alvo do afeto e carinho dos pais para se tornar alvo de disputa. Esse processo é capaz de provocar no herdeiro um sentimento de objetificação, contrariando, portanto, a constituição que confere aos progenitores o direito de oferecer a seus filhos, carinho, amor e cuidados especiais.
Ademais, o alheamento é o outro lado da moeda do abandono afetivo. O descendente cria um sentimento de rejeição contra o parente ausente, chegando ao ponto de recusar a manter uma relação com ele, ao extremo, de decidir excluí-lo definitivamente da sua vida, acarretando inúmeros problemas emocionais e psicológicos.
Logo, urgem ações por parte da família, da mídia e das escolas. À família, cabe cuidar dos filhos no momento de litígio, dando apoio emocional e, em processo de guarda, optar pela guarda compartilhada, de tal forma que os herdeiros possam conviver de forma igualitária com os pais. Para mais, a mídia detém o papel de informar sobre as causas e efeitos da alienação, dando mais destaque ao assunto e o retratando em diferentes esferas de sua grade. Por fim, concerne às escolas o protagonismo em informar aos menores de uma forma lúdica e eficiente sobre o assunto, dando também o apoio necessário para combater esse mal que persiste nos dias de hoje.