Os perigos da alienação parental

Enviada em 02/06/2020

" Enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria livros como este não serão inúteis, afirmou Victor Hugo no prólogo de “Os miseráveis”. Embora escrita no século passado, a constatação do escritor francês lamentavelmente, ainda é válida para o atual século, principalmente quando se percebe os perigos da alienação parental. Analogamente, a humanidade ainda se vê “miserável”, seja pela má interação do filho com os pais , seja pela frustração como pessoa .

A princípio, é lícito postular que a má interação do filho com os pais está intrinsecamente ligada aos perigos da alienação parental .Sob esse prisma, observa-se a vulnerabilidade da criança frente ao emblema , a exemplo de brigas entre casais envolvendo os filhos e incitando-os a participarem e posicionarem a favor de alguém. Nesse contexto, o Poder Executivo assegura a lei que condena a alienação parental, todavia houve 1042 casos em 2017 de acordo com o G1. Tal fato, retrata a ausência de “eudaimonia” , ou seja a felicidade dos cidadãos , conceito proposto por Aristóteles em seu livro “Ética a Nicômaco”. Desse modo, a ineficiência da lei reforça o retrocesso vivenciado por diversas crianças e adolescentes na atual conjuntura.

Ademais , é seguro ratificar que a frustração do indivíduo como pessoa é fruto da alienação parental.A luz dessa perspectiva, a psicanálise evidencia a correlação de uma infância  frustrada que perpassa até a fase adulta , influenciando o cidadão em todas as suas ações .Juntamente a esse fato, o sociólogo Pierre Bourdieu estava correto ao afirmar sobre a violência simbólica , a qual é exercida pelo corpo sem coação física, causando danos morais e psicológicos . Nesse viés , variadas são as consequências dessa alienação , a exemplo do isolamento social , a dificuldade de estabelecer vínculos afetivos devido ao trauma vivido quando criança , entre outros . Dessa maneira , a sociedade ainda é “miserável” , como afirmou Hugo.

Logo, em virtude dos fatos mencionados ,urge a mudança . Faz-se necessária a participação de Ongs, as quais irão trabalhar contra a alienação parental, por meio de campanhas que retratem a importância da saúde mental das crianças em situação de divórcio . Além disso , é imprescindível que o Estado na figura do Ministério da Educação , crie projetos para ser desenvolvidos em escolas e ambientes acadêmicos a fim de informar jovens e comunidade em geral  exilando  a alienação parental. Nesse ínterim é de suma importância o acompanhamento psicológico de toda a família em caso de divórcio, promovido pelo Estado na figura de clínicas , com o intuito de inibir a má interação do filho com os pais e a frustração . Doravante , a realidade descrita por Victor Hugo poderá ser mitigada .