Os perigos da alienação parental

Enviada em 08/06/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa na realidade brasileira é o oposto da exposta por More, uma vez que a alienação parental representa um empecilho para a harmonia coletiva. Tal fato é compreendido nos perigos que essa problemática simboliza para o processo formação e no desencadeamento de problemas psicológicos em crianças e jovens. Nessa perspectiva, é fundamental analisar essa temática a fim de combatê-la.

A princípio, o filósofo inglês John Locke - em sua teoria da tábula rasa - fala que o modo de agir das pessoas deriva de experiências vividas por elas durante seus processos de formação, tendendo a reproduzi-las posteriormente. Esse pensamento evidencia que a convivência em uma esfera familiar conturbada marcada por atritos constantes resultará reflexos negativos no modo dos filhos viverem em sociedade. Diante desse contexto, o infanto-juvenil passa a apresentar dificuldades com relações interpessoais, fato que é agravado em situações de isolamento. Desse modo, faz-se mister contender esse quadro deletério para garantir o desenvolvimento saudável das gerações.

Outrossim, é fulcral destacar que a alienação parental é responsável, também, por fragilizar a saúde mental da progênie e, consequentemente, ocasionar psicopatologias. Sob esse viés, o conceito basilar que a família possui perde sua validez e passa a ser palco de situações desagradáveis, transformando a vida de jovens em uma monótona infelicidade. Em virtude disso, são cada vez mais comuns casos de ansiedade e quadros depressivos em crianças, os quais em níveis mais graves induzem ao suicídio, que já é o 3° principal motivo de morte entre adolescentes segundo a OMS. Destarte, é necessário alterar essa realidade de forma premente.

Dessarte, haja vista os fatos supracitados, torna-se imprescindível que o Poder Público, na figura do Ministério da Justiça, implemente ao processo de divórcio o acompanhamento psicológico para famílias compostas por pais e filhos. Essa assistência será feita semanalmente durante todo o andamento da separação, tendo a coordenação de um psicólogo com especialidade na área, com o fito de melhor realizar decisões quanto à guarda e não comprometer a saúde e bem-estar dos jovens. Além disso, é valorosa a participação das instituições de ensino nesse enfrentamento, uma vez que são espaços de formação psico-intelectual, por meio de plataformas de auxílio pessoal, em que os próprios alunos poderiam buscar ajuda a psicopedagogos; sendo orientados da melhor maneira possível. Com tais medidas efetivadas, será possível mitigar a alienação parental e atingir o modelo de comunidade relatado por More.