Os perigos da alienação parental
Enviada em 06/06/2020
Na obra “Ensaio Sobre a Cegueira”, o escritor José Saramago descreve uma epidemia de cegueira Branca a qual, ao instaurar-se, intensifica vertiginosamente as adversidades sociais. Fora da literatura, atualmente, uma espécie similar de cegueira comete a sociedade, uma vez que a alienação parental é um problema que não é devidamente combatido. Esse contexto se faz seriamente preocupante, visto que é um obstáculo à plena efetivação dos direitos infantis e também ocasiona sequelas sociais nos pequenos.
Primeiramente, as condições a que as crianças são acometidas na conjuntura em questão configuram um abuso de direitos. Sobre isso, o sociólogo Gilberto Dimenstein, no livro “O cidadão de papel”, denuncia as diversas formas pelas quais os direitos infantis são desrespeitados. Nesse viés, a alienação parental, uma vez que acarreta riscos à saúde psico-emocional, se enquadra nas barreiras que são retratadas por Dimenstein. Por tal motivo deve ser efetivamente combatida.
Em segundo plano, de acordo com E. Durkheim, a construção do ser social, que é feita em boa parte na infância, é a assimilação pelo indivíduo de uma série de normas e padrões. Dessa forma, o contexto de alienação, por acometer majoritariamente o grupo infanto-juvenil, constrói diretrizes que delinearão as ações das crianças. Como consequência disso, o revés tende a permanecer na sociedade, uma vez que é transferido entre gerações.
Portanto, é imprescindível que se combata a alienação parental. Para tanto, cabe ao Terceiro Setor, por meio das ONGs, estabelecer fóruns de instrução à população adulta, principalmente aos que já são pais, sobre a alienação parental. Tais fóruns contarão com especialistas que os informarão de forma contundente sobre os riscos que o fenômeno representa à vida das crianças. Desse modo, poderá se alcançar uma unidade social cujos princípios se afastarão de comparações com a obra de Saramago.