Os perigos da alienação parental

Enviada em 12/06/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Em analogia ao poema de Carlos Drummond de Andrade, as pedras no caminho representam os perigos da alienação parental dentro de várias famílias brasileiras. E esse acontecimento se dá não só à negligência familiar, mas também ao individualismo.

Em primeira análise, percebe-se o quanto a irresponsabilidade familiar está presente nessas situações. Segundo o sociólogo americano Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas, dessa forma, um dos responsáveis pode fazer o menor acreditar que o outro fez mal a esse responsável e pode fazer mal a criança. Assim, podendo disseminar o ódio do menor pelo próximo.

Ademais, vale ressaltar o persistente individualismo dos pais. De acordo com Bauman, a sociedade atual está marcada pelo ser humano individualista. Nessa perspectiva, muitas vezes o progenitor está se importando somente consigo mesmo e não com o primogênito, que busca usá-lo para se vingar do ex-cônjuge. Dessa maneira, obtendo o próprio benefício e descartando o que é melhor para a criança.

Com isso, o Estado, como fornecedor do bem-estar social, precisa pensar na saúde mental do menor, logo, deve proporcionar atendimento psicológico para a criança e até mesmo para os pais, em forma de terapia familiar, através de psicólogos da rede pública de saúde, com o fito de tornar o término menos conflituoso. Desse modo, evitando a alienação parental e removendo as “pedras” do caminho.