Os perigos da alienação parental

Enviada em 18/06/2020

O documentário “A morte inventada” mostra, por meio de relatos de vítimas e profissionais, o impacto da interferência negativa que um genitor ou outro responsável faz ao desqualificar o pai ou mãe do infante. Essa obra fílmica reflete a realidade de muitos cidadãos que, por conta da alienação parental, têm direitos e o psicológico comprometidos, fazendo disso um impasse que precisa ser discutido e erradicado.

Por esse prisma, vale destacar que a família é uma instituição de suma importância e os pais exercem grande influência sobre os filhos. Partindo dessa perspectiva, cabe o pensamento do filósofo Michel Foucault que em sua obra “Microfísica do poder” aborda que as relações humanas são estabelecidas pela coerção minimalista de agentes diários. Destarte, o responsável mais próximo do infante, firma essa relação de poder e manipulação ao fazer comentários contínuos que deturpem a imagem do outro genitor ou ao afastar a criança dele, física ou afetivamente, por conta de entraves pessoais entre os progenitores.

Ademais, é fulcral ressaltar que o artigo 19 do ECA assegura o direito à convivência familiar. No entanto, esse vínculo pode ser afetado para um dos responsáveis por conta da alienação parental e sob tal ótica, a criança ou adolescente se torna um “cidadão de papel” termo trazido pelo jornalista Gilberto Dimenstein e que conceitua um indivíduo que tem direitos na teoria, porém, esses não são efetivados na prática. Além disso, essa pessoa pode sofrer, durante ou posteriormente à alienação, com depressão, incapacidade de adaptação e de estabelecer relacionamentos, ansiedade, sentimento de culpa e, até mesmo, suicídio.

Portanto, é basilar que o MMFDH promova um amplo debate sobre a temática, mediante programas televisivos, fóruns na internet e simpósios públicos com a presença de psicólogos e assistentes sociais que abordem as consequências da alienação e a necessidade de denúncia, a fim de que esse ato seja mitigado, assim as crianças terão sua saúde mental preservada e não serão mais cidadãs de papel.