Os perigos da alienação parental
Enviada em 16/06/2020
Seja por fatores econômicos, jurídicos ou sentimentais, é evidente o divórcio como solução definitiva aos problemas conjugais modernos. Com o advento e propagação do Sars-CoV-2 (Coronavírus) o mundo enfrenta a dificuldade do necessário isolamento social, tornando a convivência acentuada e provocando alterações psíquicas. Consoante, as dificuldades financeiras e sentimentais geram o estresse excessivo, fator atuante como catalisador em diversos divórcios que, por conseguinte, afetam o desenvolvimento da socialização primária de muitas crianças e adolescentes, visto que a separação do casal diverge muitas vezes a mentalidade ainda em formação do indivíduo. Dessa forma, é notável o aumento dos divórcios e sua perigosa relação com os perigos da imposição e alienação de ideias nas crianças e adolescentes que, como dito por Platão, não devem permanecer na alma por muito tempo.
Primeiramente, é notável os impactos gerados pelo Coronavírus à saúde, economia e, consequentemente, ao convívio parental. Isso é evidenciado pela dificuldade material das famílias, tendo em vista que, segundo o diretor da Organização Mundial do Comércio Roberto Azevêdo, o mercado mundial apresentou queda de 13%, afetando os preços de diversos produtos e que, de acordo com dados do G1, o número de divórcios na China apresentou o maior crescimento da história. Devido a essa instabilidade, que resulta na instabilidade mental, muitos divórcios estão acontecendo sem consentimento, gerando um ambiente conflituoso que menor estará presente absorvendo.
Paralelamente, é perceptível que, com o aumento dos divórcios e a criação de ambientes violentos de convivência, a socialização primária do indivíduo é afetada. Tal fator resulta na manipulação mental das escolhas infantis, criando uma perspectiva muitas vezes fora da realidade que resulta na alienação e formação de feridas psíquicas, gerando, então, um adulto muitas vezes perturbado socialmente que tende a reproduzir as ações violentas apreendidas com a formação indevida quando criança.
Portanto, é visível a o impacto da pandemia atual na catalisação do aumento dos casos de divórcio que gera, seguidamente, a alienação de crianças e adolescentes em formação. Destarte, é necessário que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como órgão responsável pela saúde e integridade física e mental da criança e do adolescente, promova ações de intervenção e informativas, por meio de políticas públicas de planejamento familiar estratégico e subsídio fiscal para momentos de crise econômica visando atendimentos psicológicos para as crianças e adolescentes, para que haja construção saudável da socialização primária e diminuição dos traumas resultantes da separação conjugal dos responsáveis, a fim de que a alienação não permaneça por muito tempo na alma - como dito por Platão, contribuindo para a formação do adulto e diminuindo os riscos de manipulação parental.