Os perigos da alienação parental
Enviada em 19/06/2020
A Constituição Federal atribui aos pais o dever de assistir, criar e educar os filhos menores. Entretanto, um dos casos nos quais essa responsabilidade não é atendida é quando ocorre a alienação parental, isto é, nas situações em que crianças são instrumentalizadas nos conflitos entre pai e mãe. Isso é prejudicial tanto às crianças, que se encontram em posição de vulnerabilidade, quanto ao genitor alienado, que é privado do convívio afetivo com seus descendentes.
Inicialmente, destaca-se a importância de um ambiente acolhedor e bem estruturado para a formação das crianças. Segundo o sociólogo Durkhein, é nessa fase em que elas passam pelo processo de socialização, ou seja, quando internalizam as valores e expectativas da sociedade. Por conseguinte, confrontos entre os pais podem desorientar os filhos e causar problemas emocionais e psicológicos, como depressão e ansiedade, bem como deturpar as noções sobre laços afetivos que os menores irão absorver. Dessa maneira, quando se tornarem adultos, estes possivelmente reproduzirão os mesmo hábitos destrutivos, perpetuando assim a cultura de relacionamentos tóxicos
Além disso, cumpre salientar o efeito danoso que a alienação parental tem no genitor alienado. Dado que, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, vive-se em uma sociedade líquida, a relação entre o pai ou a mãe com o filho é um farol, um guia sólido sobre a afetividade em um mundo marcado por relacionamentos frágeis e substituíveis. Portanto, aleijar um pai de contato emocional efetivo com sua prole é mais do que um atentado com a família, é uma violação existencial daquilo que constitui o ser humano.
Diante do exposto, percebe-se a nocividade causada em pais e filhos pela alienação parental. Como o objetivo de minimizar tal prática, o Ministério da Educação deve promover campanhas escolares, como por meio de debates durante as reuniões de pais e mestres, para conscientizar os entes familiares desse problema. Adicionalmente, compete aos organismos de proteção à criança (Conselho Tutelar e escola, por exemplo) abrir canais pelos quais os menores podem reportar alienações sofridas. A partir dessas medidas, uma sociedade com estruturas familiares mais saudáveis poderá ser construída.