Os perigos da alienação parental

Enviada em 25/06/2020

Thomas Hobbes, filósofo inglês, em sua obra “Leviatã”, dissertou que o homem precisava superar seu “estado de natureza”. Para ele, a sociedade humana apresentava tendência ao caos e à desarticulação, à proporção que, por puro egoísmo, estava disposta a se destruir em busca da satisfação de seus interesses. Nesse viés, podemos relacionar as palavras de Hobbes ao Brasil contemporâneo, uma vez que pais, influenciam os filhos a repudiarem seu outro genitor por não conseguirem resolver problemas pessoais entre si, o que acarreta problemas psicológicos graves. Desse modo, tal manipulação é inconcebível e faz-se pertinente debater acerca das causas e perigos da alienação parental

Em primeiro lugar, é importante destacar que, de acordo com o psiquiatra Richard Gardner, em processos de divórcios é comum a síndrome da alienação parental, distúrbio infantil em que há sentimentos de ódio e rejeição, sem que haja justificativas reais para isso. Esse cenário advém do fato  de que pais em processo de separação utilizam-se dos filhos como ferramentas de vingança ou possível reconciliação, sendo a criança manipulada a difamar e denegrir seu outro genitor ou interferir na relação a fim de que não haja desunião familiar.  Assim, aos poucos o vínculo afetivo é destruído por acreditar que o que lhe foi dito é verdadeiro e, consequentemente, o objetivo do alienador atingindo, posto que o jovem escolhe somente um lado e indubitavelmente a guarda fica unilateral.

Por conseguinte, presencia-se problemas psicológicos prematuros devido o monitoramento constante dos sentimentos da criança na busca por desmoralização do cônjuge. Segundo pesquisas realizadas pelo jornal O Globo, em 2018, 60% dos jovens entrevistados apresentavam ansiedade generalizada, agressividade e transtorno de identidade, consequências da alienação parental. Desse modo, justifica-se a célebre frase citada por Thomas Hobbes: “O homem é o lobo do homem”, visto que os pais estão dispostos a afligirem seus filhos ao invés de protegê-los, na tentativa de atingir objetivos pessoais, sendo assim, predadores que se autodestroem.

Portanto, medidas são necessárias a fim de amenizar o quadro atual. Visando proteger a criança, urge que o Estado, por meio de investigações minuciosas,  aplique punições aos envolvidos na manipulação, com o objetivo de que haja redução nos casos de jovens com problemas psicológicos. Ao mesmo tempo deve amparar, com ajuda de assistentes sociais e psicólogos, os adolescentes já acometidos pela alienação, com o intuito de mitigar as consequências. Somente assim, será possível assegurar os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e impedir que o individualismo  e egoísmo citado por Thomas Hobbes seja cada vez mais realidade na sociedade brasileira atual.