Os perigos da alienação parental
Enviada em 27/06/2020
Na novela “Salve Jorge”, da autora Glória Perez, a personagem Antônia enfrenta dificuldades para conviver com sua filha Raissa, haja vista que o pai da menina a manipula para não gostar da mãe. Fora da ficção, inúmeros são os casos em que tal conjuntura de alienação parental - isto é, de manipulação psicológica de uma criança realizada por um dos genitores em detrimento de outro - se repete. Essa re-corrência tem grande impacto na formação do menor alienado e gera danos psicológicos de grande magnitude.
Precipuamente, é incontrovertível que os pais têm grande importância na formação de seus filhos. O filósofo John Locke corrobora com isso ao trazer a teoria da tábula rasa, na qual cada ser humano nas-ce desprovido de qualquer conhecimento e forma sua intelectualidade através das manifestações exter-nas, principalmente por meio do pai e da mãe. Dessa forma, com a exposição a interferências psíquicas negativas, o jovem é obrigado, em fase tão precoce, a se preocupar com assuntos complicados demais, como ter que escolher o lado materno ou paterno da briga de separação.
Consequentemente, ao atingir a fase adulta, quem sofreu alienação por parte dos pais durante a in-fância apresenta graves problemas de saúde. A especialista em comportamento humano, Roselaike Leiros, confirma essa hipótese. Segundo ela, “o filho que sofre alienação parental não consegue rever a questão na vida adulta, contaminando suas futuras relações com seu cônjuge e filhos”. Assim, o alie-nado cresce sem estrutura emocional e mental, tornando-se, quando velho, o alienador.
Portanto, medidas são necessárias para acabar com o quadro deletério. Dessarte, o Ministério da Mu-lher, da Família e dos Direitos Humanos - já que é responsável por todos os membros do conjunto fami-liar - deve, por meio de parcerias com os Conselhos Tutelares, criar o C.A.C.S.V.E.C.P. (Conselho de Amparo à Criança em Situação de Vulnerabilidade Emocional Causada pelos Pais). Esse órgão atuará em duas frentes: fornecerá acompanhamento psicológico aos menores cujos progenitores estiverem se divorciando e, ademais, organizará sessões conjuntas em que, por intermédio de rodas de conversa, pessoas com histórico de traumas familiares poderão expor suas fragilidades e, juntos, superar tais ad-versidades. Então, os números da alienação parental diminuirão e se resumirão apenas à ficção.