Os perigos da alienação parental
Enviada em 27/06/2020
A Constituição Federal, maior ordenamento jurídico brasileiro, define o conceito de família, bem como o seu papel no desenvolvimento psicossocial da criança e do adolescente. Contudo, esse documento vem sendo ferido com os casos de alienação parental sofrida pelos jovens, deixando-os suscetíveis a transtornos de caráter psicoafetivo, pois afeta as relações profundas e de forte impacto que os filhos têm com os pais, e social, mudando seu comportamento e suas relações com a coletividade. Exigindo, dessa forma, medidas paliativas.
A princípio, é válido salientar que, segundo a históriografia, a família, primeira célula de organização social e afetiva, surgiu há aproximadamente 4600 anos. Desse modo, a mulher estabelece uma relação íntima e perene com bebê desde amamentação, ao ponto que, segundo Lacan, a mãe passa, a partir desse ato, segurança afetiva e psicológica para o filho. Do mesmo modo, no livro “O novo papel do pai”, de Paul Hepburn, crianças cuidadas pelo pai atingem maior desenvolvimento escolar e social, evitando gravidez e uso de drogas. Nesse contexto o alheamento familiar assola o convívio harmônico, impactando nas relações psicoafetivas, e causando, em médio e longo prazo, complicações maiores.
Outrossim, no filme “A vida é bela” retrata a relação harmônica dos pais de Giosué, que mesmo com sofrimentos, se esforçam para manter a família unida. Tal obra passa longe da realidade brasileira, visto que, a manipulação da prole em detrimento de um de seus genitores, causa nos envolvidos baixa autoestima, que acarreta depressão, isolamento e até suicídio, assim como abala o rendimento escolar e, já com a filiação é espelho dos genitores, os faz reproduzir os mesmos atos com suas proles. Conforme pesquisa do G1, a alheação familiar traz dificuldades de vínculo, isolamento, depressão e outros transtornos, mostrando que quando o alheamento familiar é regra, o bem-estar dos infanto-juvenis é exceção.
O Estado, em comum acordo com a população, devem agir para solucionar problemas na sociedade, como afirma John Locke. Por conseguinte, compete ao Ministério da Saúde, por meio de psicólogos e assistentes sociais, instruir os pais sobre os perigos da alienação parental, com oficinas e debates durante o pré-natal, apresentando os problemas causados por ela tanto na criança como judicialmente, a fim de diminuir os impactos na vida dos jovens. E assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir os casos de alienação parental e fazer valer à Carta Magna de 1988.