Os perigos da alienação parental

Enviada em 29/06/2020

Na obra “Raízes do Brasil”, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda desenvolve o conceito de “O homem cordial”, no qual descreve o brasileiro como um ser dotado de bons sentimentos. Entretanto, observa-se que essa ideia não se aplica na sociedade diante de casos de alienação parental, em que um dos pais - separados - age de modo a incentivar o ódio dos filhos pelo outro genitor. Isso ocorre devido ao individualismo pós-moderno e acarreta, por conseguinte, danos psíquicos à prole.

Sob tal óptica, destaca-se que o sociólogo Bauman expôs, em sua obra “Cegueira Moral”, que a cultura individual contemporânea causou a insensibilidade das pessoas diante da dor do outro. Nessa lógica, observa-se que promover a raiva de um filho contra um de seus pais corrobora o pensamento de Bauman, visto que nesse ato não há qualquer empatia com os sentimentos da criança. Infere-se, diante disso, que a postura individualista dos pais é um desafio no combate à alienação parental.

Ademais, convém ressaltar os perigos desse emblema: doenças  como ansiedade e depressão. Nesse viés, segundo o sociólogo Durckheim, a família é base da formação humana: se ela é desconstituída, o bem-estar se fragiliza. Analogamente ao tema, cabe analisar que, hodiernamente, a alienação parental representa a desconstituição familiar e os males psicológicos - supracitados acima - são a fragilização do bem-estar. Com isso, evidencia-se a necessidade de medidas.

Portanto, é mister que o Ministério da Saúde, em parceira com a Ordem dos Advogados do Brasil, promova a ampliação do número de psicólogos na Vara da Família, por meio de novos concursos públicos a serem divulgados não só no Diário Oficial da União, mas também em redes sociais,  visando o maior alcance de interessados. Esses profissionais, diante de um planejamento estratégico, trabalharão para evitar danos psíquicos no menores e orientar os pais divorciados a não praticarem a alienação parental. Assim, o brasileiro poderá ser devidamente chamado de “O homem cordial”.