Os perigos da alienação parental

Enviada em 29/06/2020

O documentário brasileiro “A morte inventada” retrata casos de diversos jovens e adolescentes que, desde pequenos, tiveram a imagem de um de seus genitores manipulada e desmoralizada, em função do fracasso amoroso entre seus pais. À vista disso, a realidade apresentada, lamentavelmente, além de ser comum na sociedade contemporânea, evidencia os perigos da alienação parental. Nesse sentido, não há dúvidas que, gradativamente, a difícil a manutenção de vínculos afetivos e os danos traumáticos causados às crianças corroboram que esse fator desestabilizante seja considerado um problema grave.

Convém ressaltar, primordialmente, o triste rompimento de laços afetivos entre o genitor alienado e seu filho. Nesse contexto, de acordo com John Locke, o ser humano, quando criança, é como uma tábua rasa, ou seja, é com o contato com as ideias externas que desenvolve seu pensamento interno. Sob a ótica do filósofo, a manipulação psicológica dificulta o amplo convívio com um dos pais ao modo em que molda os sentimentos e as visões do indivíduo para com o tutor alienado. Desse modo, se a disseminação dessas concepções deturpadas não deixarem de ocorrer, o rompimento de laços afetivos entre pais e filhos continuará a existir, no contexto da alienação parental.

Ademais, destacam-se os díspares danos psíquicos causados aos pequenos, ocasionados por experiências traumáticas. Nesse ínterim, o psicanalista Freud afirma que o contato empírico com diálogos e vivências danosas gera um excesso de efeitos prejudiciais na organização psicológica dos futuros adultos. Analogamente, a convivência contínua com discursos odiosos e manipuladores contra um pai ou uma mãe caracteriza uma convergência com o conceito de trauma explicado por Freud, que é capaz de desencadear frustrações, decepções e, inclusive, tristeza para os jovens que sofrem com a alienação parental. Por isso, se os efeitos nocivos ao psicológico não forem repensados, esse problema jamais será revertido.

Logo, urge a intervenção das autoridades competentes para que esse revés possa, finalmente, ser atenuado. Assim, o Governo Federal deve, em parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, criar um projeto de cunho conscientizador, que, por meio de propagandas televisivas, explique, de forma lúdica e interativa, os perigos da alienação parental para toda a população brasileira. Dessarte, tal ação, que tem a finalidade de explicitar a importância de ambas as figuras parentais no desenvolvimento individual e social de uma criança, deve, inclusive, ser disponibilizada no site do Ministério, para que se possa alcançar um maior número demográfico. Somente assim, poder-se-á fazer com que os casos descritos em “A morte inventada” nunca mais voltem a existir.