Os perigos da alienação parental

Enviada em 04/07/2020

“O homem é a medida de todas as coisas”. Essa máxima,atribuída ao filósofo grego Protágoras revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente a alienação parental, na qual pais ou responsáveis manipulam as condutas dos filhos, no que tange à visualização do outro genitor de forma negativa, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, os desafios no combate a alienação parental são inúmeros e evidentes.

Em primeira análise, convém frisar a exímia importância de laços familiares sólidos e consolidados, haja vista que a família é a primeira sociedade e a base fundamental para a formação de todo indivíduo. Nesse contexto, infelizmente, muitas relações parentais e conjugais estão deturpando completamente a importância do convívio familiar, na qual muitos pais expõem seus problemas mal-resolvidos para seus filhos, utilizando da manipulação como instrumento de vingança pelo fim da vida conjugal. Nesse viés, segundo o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar de toda a população, assegurando através da lei 12.318 de 2010, artigo 2º, a criminalização de alienações parentais, o que garante o direito da criança e do adolescente de uma convivência familiar saudável, além da estipulação de multas ao alienador e até a perda da guarda.

Ademais, os prejuízos causados para as vítimas de alienação parental são inúmeros e evidentes, tais como: a perda de auto-estima, já que os filhos acreditam que o que está acontecendo é culpa deles, além de tornar-se uma criança fragilizada, triste, podendo até manifestar muita raiva pelo outro genitor. Sob essa ótica, a OMS, inclui esses entornos como a CID - Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde -,demonstrando como questões que até então poderiam ser resolvidas em particular, agora tratam de sentimentos de ódio e rejeição, o que externaliza  um ciclo vicioso de questões complexas emocionais e psicológicas.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas atenuantes.Assim, cabe ao Estado, majoritariamente o Ministério da Justiça, o papel de aprimorar a aplicação de leis e as fiscalizações sobre essa manipulação familiar, de modo que haja uma parceria com os setores midiáticos, com intuito de ser fonte de informação e de denúncias, por meio de campanhas e palestras em horário nobre, tanto para quem sofre desses entornos,como para quem aliena, além de possibilitar que estes procurem apoio, a partir de psicoterapias e psicanálise, para que os ajudem a encontrar formas saudáveis de lidar com essas situações, a fim de transmudar esse cenário a tempo de evitar um ciclo vicioso.