Os perigos da alienação parental

Enviada em 06/07/2020

Platão, pensador grego, estabeleceu uma alegoria de homens presos em uma caverna, os quais possuíam uma visão limitada da realidade, dado que enxergavam apenas as sombras projetadas dos objetos externos. A alienação parental, por sua vez, é uma maneira perigosa de os pais colocarem os filhos em uma caverna como a de Platão, pois, tal prática é fomentada, sobretudo, pelo ato de ludibriar os filhos e, portanto, limitar sua visão. Em vista disso, é de suma importância analisar os perigos da alienação parental na sociedade. Desse modo, nota-se não só um impasse ao desenvolvimento das crianças, como também evidencia uma dissonância perante a Carta Magna e a realidade exposta.

A princípio, o escritor Daniel Goleman ganhou notoriedade ao elucidar sobre a inteligência emocional e o seu impacto na vida do indivíduo. Ao passo que a relação de alienação parental, exemplo de falta de tal inteligência, tende a prejudicar o desenvolvimento pleno da criança como, por exemplo, no âmbito escolar (mediante a um cenário instável criado pelos pais) e, consequentemente, sua vida profissional na fase adulta, uma vez que os pilares da personalidade do indivíduo são formados na infância. Prova disso Machado de Assis, escritor brasileiro, escreveu, em ’’ Memórias Póstumas de Brás Cubas", que o menino é pai do homem. Dessa maneira, nota-se um dilema que compromete a evolução da criança.

Outrossim, o filósofo Henrique de Lima, no ‘‘Enigma da Modernidade’’, disserta que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. Tanto que pode-se traçar um paralelo entre a Constituição de 1988- a qual relata que todas as crianças possuem o direito ao cuidado e à proteção- e a realidade que expõe uma contrariedade, sejam pelos efeitos psicológicos da alienação parental, como alertam os psicólogos, seja pela inoperância do Estado para mudar tal panorama . À vista disso, observa-se uma dicotomia ante os dispositivos constitucionais e a narrativa factual.

Logo, é necessário que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva políticas públicas por meio de verbas governamentais, com o intuito de os perigos da alienação parental serem mitigados. Ademais, é imprescindível que essas programas sejam feitas assim: criar campanhas publicitárias, aliado à mídia, que mostrem as consequências de um ambiente instável para as crianças, com a utilização de depoimentos de pedagogos, a fim de que os pais venham a conscientizar-se de suas práticas prejudiciais aos filhos; elaborar com psicólogos palestras, mediante utilização de dados estatísticos e literatura especializada, com a finalidade de elucidar como o ludibriamento dos pais podem desencadear problemas psicológicos aos filhos. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas relacionados a essa questão no tecido social pós-moderno.