Os perigos da alienação parental

Enviada em 12/07/2020

Na minissérie produzida pela Netflix, ‘‘Nada Ortodoxa’’, a personagem principal possuía uma vida regrada pelos preceitos do Judaísmo e, por isso, sentia-se infeliz, tanto que retira-se desse ambiente mediante uma fuga. Em vista dessa situação, é importante analisar os perigos da alienação parental, a qual é retratada na série televisiva no âmbito religioso. Desse modo, observa-se convenções apregoadas pelos pais, além da não consonância ante a constituição e a realidade exposta.

A priori, segundo Friedrich Nietzsche, em ‘‘A Genealogia da Moral’’, o conceito utilitarista do que é bom, na sociedade, se estabelece por aqueles que, por intermédio de uma prática, validam determinada ação como boa. Tal utilitarismo, por sua vez, tão criticado por Nietzsche, observa-se na alienação parental. Ao passo que visualiza-se não só sob contextos religiosos, mas também a uma educação tecnicista, a qual inibe, certamente, a crítica e, portanto, o pensamento analítico, como alertou Paulo Freire com a conceituação da pedagogia libertadora. Dessa maneira, nota-se a alienação associada às convenções que os pais julgam ser essenciais para os filhos, a qual impede, sobretudo, o desenvolvimento pleno da criança.

Outrossim, a Constituição Cidadã estabelece o dever do pais no fomento à educação de qualidade para os filhos, entretanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo, por sua vez, expressa-se, seja pela alienação parental que alguns pais sujeitam os filhos, seja pela inoperância do Estado na realização de programas sociais para mitigarem tal questão. Nessa lógica, percebe-se que o paralelo entre a constituição e a realidade ecoa, notadamente, o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual declara que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, verifica-se uma dissonância perante a Carta Magna e a narrativa factual, a qual necessita ser solucionada.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo elabore políticas públicas por meio de verbas governamentais, com a finalidade de atenuar os perigos da alienação. Posto isso, é fundamental criar, aliado à mídia, campanhas publicitárias, com o depoimento de pedagogos que revelem a importância de uma educação que estimule a crítica e o questionamento, a fim de que as crianças desenvolvam uma visão analítica do mundo que as cercam. Ademais, elaborar, associado ao Ministério da Educação, palestras destinadas ao pais, mediante utilização de dados estatísticos que venham a demonstrar como a alienação parental não é salutar para educação dos filhos, com o intuito de validar os preceitos constitucionalmente estabelecidos. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas sociais elencados a tal questão no tecido social pós-moderno.