Os perigos da alienação parental

Enviada em 14/07/2020

Friedrich Nietzsche, em a ‘‘Genealogia da Moral", explicita que o conceito do que é bom, na sociedade, se dá por aqueles, que por intermédio de uma ação, validam determinada prática como boa. Nessa lógica, visualiza-se que essa conceituação é utilizada pelos pais como uma ferramenta de indução comportamental dos filhos. Desse modo, urge analisar a questão dos perigos da alienação parental. Dessarte, nota-se não só que tal cenário está associado à limitação do questionamento, como também a não consonância perante a Constituição Cidadã e a realidade exposta.

A princípio, René Descartes, filósofo francês, elucidou a célebre frase “Penso, logo existo’’, notadamente, uma alusão ao princípio do questionamento como forma de progresso. Todavia, a alienação parental é uma maneira de restringi-lo. Prova disso é que- de acordo com o utilitarismo de Nietzsche, já supracitado- o seio familiar tende a ditar, de acordo com suas experiências, o que a criança deve fazer e como deve pensar, relacionado, por exemplo, a questões religiosas e, até mesmo, políticas. Dessa maneira, nota-se que essa conjuntura de convenções, advindas da alienação, limita a capacidade de escolha de tais indivíduos e, portanto, o seu poder de questionamento é cerceado, dado que recebem as informações prontas e, sobretudo, sem margem para indagações.

Outrossim, a Constituição Cidadã estabelece que é dever dos pais o fomento à educação de qualidade para as crianças. Entretanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo, por sua vez, é visualizado, seja pela indução comportamental parental, seja pela inoperância do Estado na realização de medidas para dirimir tal emblema. Nessa lógica, o paralelo entre a Carta Magna e a realidade ecoa o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, verifica-se uma dissonância ante os dispositivos constitucionais e a narrativa factual que precisa ser solucionada.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva políticas públicas por meio de verbas governamentais, como o intuito de que os perigos da alienação venham a ser mitigados. Posto isso, é fundamental, aliado à mídia, criar campanhas publicitárias, mediante depoimentos de pedagogos, a fim de elucidar o seio familiar sobre a importância do senso crítico para o desenvolvimento da criança. Ademais, é imprescindível que tal esfera do poder realize palestras destinadas aos pais, com a utilização de dados estatísticos, sobre os malefícios da indução comportamental, com a finalidade de estabelecer os dispositivos constitucionais. Dessa forma, resolver-se-ão os problemas elencados a tal situação no tecido social pós-moderno.