Os perigos da alienação parental

Enviada em 12/08/2020

“A violência, seja qual for a maneira como ela se manisfesta é sempre uma derrota”. Diante dessa afirmação do filósofo Jean Paul Sartre, destaca-se que, apesar de não ser física, a alienação parental é uma das formas mais graves de violência. Esse ato, concretizado quando um dos pais ou cuidadores incita o filho contra o outro genitor, vem sendo cada vez mais comum devido a desarticulações caóticas das famílias e a uma falta de atenção à saúde psíquica dos menores inseridos nesse contexto. Assim, efeitos negativos são provocados não só nas crianças, mas também na sociedade em geral, mostrando a necessidade de se ampliar a discussão acerca desse assunto.

Primeiramente, vale destacar as motivações que levam a esse problema dentro das famílias. Sob essa perspectiva, segundo dados do IBGE, o número de divórcios no Brasil ultrapassa 300 mil por ano. Vê-se, com isso, que as relações contemporâneas estão cada vez mais frágeis e, muitas vezes, os adultos em questão, tomados pela raiva e vontade de prejudicar o outro, acabam manipulando a criança ou o adolescente para também desenvolverem tal rejeição pela outra parte. Além disso, a alienação parental ocorre quando se dificulta o convívio com o pai ou a mãe, realiza chantagens, apresenta falsas acusações, entre outras formas de persuasão que, na maioria das vezes, por se tratar de um menor de idade, ainda desenvolvendo sua capacidade de discernimento, acabam sendo bem sucedidas.

Outrossim, é importante apontar as consequências advindas desse tipo de abuso. A esse respeito, comumente, a vítima de alienação adquire traumas como dificuldade de se relacionar socialmente, sentimento de culpa e medo, visão maniqueísta da vida, além de poder desenvolver ansiedade, agressividade e depressão. Ademais, fica claro que certos danos provocados nessas crianças podem ser irreparáveis, possibilitando a formação de um adulto problemático que poderá perturbar a ordem social. Logo, nota-se que, além da criança e do genitor alienado - que acaba, injustamente, tendo a relação com o filho prejudicada -, os perigos desse comportamento recaem também sobre a sociedade em que os envolvidos nessa mazela estão inseridos.

Sendo assim, medidas são necessárias para mitigar a alienação parental e evitar os prejuízos causados por ela. Para tanto, a Escola deve estabelecer um contato mais próximo com as crianças, identificando comportamentos que mostrem indícios dessa prática, para que, com isso, possam denunciar e impedir esse tipo de manipulação. Isso deve ser feito por meio da elaboração de um projeto de lei que exija atendimento psicológico nas escolas para que esses profissionais possam ajudar alunos e professores a lidarem com essa situação. Assim, tal forma de violência psicológica poderá ser derrotada, ajudando a recuperar relações desgastadas e a formar indivíduos mentalmente saudáveis.